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Eleições 2026

Debate ao Senado opõe direita e esquerda e termina com direito de resposta a Coronel Hélio por acusação de misoginia

Candidatos discutiram transposição, os R$ 16 milhões da Reta Tabajara, nepotismo e o impeachment de Dilma
Agora RN
02/09/2026 | 14:57

A divisão entre direita e esquerda dominou o debate promovido pelo Grupo Dial Natal (rádios 98 FM e Jovem Pan) com candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Norte na noite desta terça-feira 1º. Único representante da direita no encontro, o candidato Coronel Hélio (PL) concentrou críticas aos governos do PT e enfrentou Rafael Motta (PDT), Samanda de Lula (PT), Sandro Pimentel (PSOL) e Sônia Godeiro (PSOL) em discussões que transportaram a polarização nacional para temas estaduais.

Realizado no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), o encontro não contou com Styvenson Valentim (Podemos), Zenaide Maia (PSD) e Tércio Tinoco (União). Convidados, os três comunicaram que não participariam. A ausência de Styvenson, candidato à reeleição e aliado de Hélio, provocou críticas durante diferentes momentos do programa.

Cinco candidatos ao Senado sentados no palco durante debate no auditório do Crea-RN
Candidatos ao Senado pelo RN durante debate no auditório do Crea-RN, promovido pelo Grupo Dial Natal. Foto: Reprodução

Desde a apresentação inicial, Hélio procurou delimitar os campos políticos da disputa. “Coronel Hélio é o único candidato da direita do Rio Grande do Norte”, afirmou. Ele vinculou sua candidatura a Flávio Bolsonaro (PL), a Álvaro Dias, candidato do PL ao Governo do Estado, e a Styvenson.

Hélio responsabilizou os governos petistas por problemas na saúde, na educação, na segurança e na infraestrutura, e associou a alta dos preços e o endividamento das famílias às políticas econômicas federais. Do outro lado, os adversários defenderam, em diferentes graus, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atacaram a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Samanda apresentou-se como representante direta da governadora Fátima Bezerra, que não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Senado. “Samanda é Fátima com muito orgulho”, declarou, afirmando que pretende atuar em sintonia com Lula e com Cadu Xavier, candidato petista ao Governo. Rafael também defendeu o alinhamento da bancada potiguar com o Governo Federal: formou uma dobradinha com Samanda e sustentou que a proximidade com Lula facilitaria a obtenção de recursos.

Embora também pertençam ao campo da esquerda, Sônia e Sandro adotaram posições independentes em relação ao PT. Sônia ressaltou que o PSOL tem candidatura própria ao Governo, encabeçada por Robério Paulino, e criticou alianças petistas com partidos de centro e de direita. Sandro destacou propostas voltadas aos trabalhadores, ao meio ambiente e à proteção animal.

Transposição e vacinas

A polarização ganhou força no primeiro confronto, quando Rafael e Hélio discutiram infraestrutura. A pergunta sobre projetos para portos, aeroportos e rodovias deu lugar a uma disputa sobre a autoria da transposição do Rio São Francisco e a conclusão da Barragem de Oiticica.

Hélio atribuiu ao governo Bolsonaro a chegada das águas ao Rio Grande do Norte. “O governo Bolsonaro foi, sim, quem terminou a transposição do Rio São Francisco”, afirmou. Rafael contestou: “O governo Bolsonaro, pelo contrário, pegou carona no governo Lula em relação à transposição do São Francisco”.

O candidato do PL também cobrou Rafael pela destinação de R$ 16 milhões, inicialmente previstos para a Reta Tabajara, à tentativa de compra de vacinas contra a Covid-19 pelo Governo do Estado, no auge da pandemia. Hélio lembrou que os imunizantes não foram adquiridos e acusou o então deputado federal de não fiscalizar a aplicação da emenda.

Rafael justificou a decisão pelas circunstâncias da pandemia. “Tinha potiguares morrendo. Eu fui o primeiro deputado e o único que transformou a emenda parlamentar em vacina para salvar a vida”, respondeu. “Se fosse Sputnik, se fosse qualquer outra indústria, eu faria da mesma forma. Porque, se eu salvasse uma vida com um real que fosse, para mim já estaria valendo a pena”, completou.

Segurança

O confronto entre Hélio e Sandro, dedicado à segurança pública, também reproduziu a divisão ideológica. O representante do PL perguntou se o adversário apoiava a equiparação das facções criminosas a organizações terroristas. “Eu sou contra”, respondeu Sandro, que defendeu investimentos em tecnologia, integração das forças de segurança e maior fiscalização das fronteiras.

Hélio apresentou propostas de compartilhamento de dados entre as polícias, guardas municipais e órgãos federais, com o emprego de câmeras e drones. Ao final, defendeu a redução da maioridade penal, o fim das saídas temporárias de presos e a castração química de condenados por estupro.

Sandro concordou com a necessidade de integrar as forças, mas afirmou que a segurança não pode ser responsabilidade exclusiva dos estados e municípios. “Não se combate segurança pública somente com as forças dos estados, nem muito menos dos municípios”, declarou.

Nepotismo e direito de resposta

O momento de maior tensão ocorreu no embate entre Hélio e Samanda. A candidata petista questionou a relação do adversário com Styvenson e apontou uma suposta contradição entre a proposta do senador contra o nepotismo e a escolha da própria irmã, Kelly Valentim (Podemos), para a primeira suplência na chapa à reeleição.

“O seu companheiro de chapa para o Senado apresentou uma proposição no Senado, assim que chegou lá, contra o nepotismo e hoje indica a irmã para ser a sua primeira suplente. O que é que o senhor acha disso?”, perguntou.

Hélio evitou responder diretamente e destacou a atuação de Styvenson. “O senador Styvenson Valentim tem feito tanto pelo Estado, tantas obras visivelmente palpáveis, tantos hospitais, que tem sido, na verdade, o governador”, afirmou.

Samanda também criticou a indicação de Valério Marinho (PSDB), pai do senador Rogério Marinho (PL), como primeiro suplente de Hélio. O candidato rebateu que a escolha não foi motivada pela capacidade de financiar a campanha: “Eu não fui atrás de suplente que pudesse bancar a minha campanha. Eu fui atrás de valores”, declarou.

Os dois ainda divergiram sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Hélio disse que analisaria o assunto no Senado e defendeu a negociação direta entre empregados e empregadores. Samanda associou a posição ao grupo de Rogério Marinho e classificou os aliados do candidato como adversários dos direitos trabalhistas.

A troca de acusações avançou para o tratamento dado às mulheres na política. Samanda classificou falas de Hélio contra Fátima como misóginas e mencionou declarações anteriores de Jair Bolsonaro e Styvenson. “Tem uma especialidade em bater mulher, em falar mal de mulheres”, afirmou ao se referir à direita.

Hélio negou misoginia e disse que apenas fazia uma avaliação administrativa. “Eu não estou batendo em Fátima, eu estou só mostrando o fracasso do governo dela”, respondeu. A comissão jurídica concedeu direito de resposta ao candidato do PL por considerar que a acusação configurou ofensa pessoal sem a indicação de uma fala específica dele. “Eu não admito ser chamado de misógino”, declarou no minuto adicional.

Impeachment e propostas

A disputa entre esquerda e direita também apareceu quando Sônia cobrou de Rafael uma autocrítica pelo voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Rafael reconheceu que poderia ter agido de maneira diferente: “Eu vi realmente, em seguida, o que houve, todos os desmantelos no nosso país, e a gente faz uma autocrítica. Com toda certeza. Eu teria, talvez, me comportado de forma diferente naquele momento”, afirmou.

Sônia questionou ainda as alianças do PT com partidos conservadores e mencionou a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Estado, o que impediu Fátima de deixar o cargo para concorrer ao Senado. Rafael evitou prolongar a divergência e sustentou que os eleitores estão mais preocupados com saúde, emprego e investimentos.

Apesar do predomínio dos confrontos políticos, o debate também apresentou propostas para a modernização do Porto de Natal, duplicação da BR-304, implantação do Porto-Indústria Verde, expansão da Transnordestina, geração de energia renovável, combate à desertificação do Seridó, regionalização da saúde, proteção animal e convocação de servidores concursados.