A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a preocupar também representantes do setor empresarial. Entidades defendem uma resposta transparente para os conflitos envolvendo ministros da Corte e avaliam que os questionamentos sobre o tribunal podem afetar a segurança jurídica, a confiança nas instituições e o ambiente de negócios.
A manifestação ocorre em meio aos desdobramentos do caso Banco Master e a decisões recentes envolvendo os ministros André Mendonça, Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin.

Entidades pedem análise pública dos fatos
A Fecomércio-SP está entre as entidades que assinaram um manifesto divulgado nesta quarta-feira 9. O documento defende que o plenário do STF examine os fatos relacionados à crise em uma sessão pública.
As entidades também pedem que a análise seja feita de forma rápida e transparente. Segundo o grupo, a segurança jurídica é um dos fatores considerados por empresas e investidores em suas decisões.
Além da Fecomércio-SP, o manifesto reúne a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
Crise envolve ministros do Supremo
A tensão dentro do STF aumentou após a divulgação de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio também provocou disputas entre ministros e questionamentos sobre a condução de investigações relacionadas ao Banco Master.
Na quarta-feira 9, Edson Fachin suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Dino e convocou uma sessão plenária extraordinária para 15 de setembro. O presidente do STF também afirmou que a gravidade dos fatos exige que a resposta do Judiciário siga a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais.
Para o setor empresarial, a preservação da confiança nas instituições é necessária para garantir estabilidade nas decisões de empresas e investidores. O manifesto amplia a pressão por uma resposta institucional do Supremo, mas não apresenta posicionamento sobre o mérito dos casos em disputa.