A Prefeitura de Parnamirim enfrenta um cenário de desequilíbrio financeiro, sobrecarga nos serviços básicos e dificuldade para executar obras herdadas da gestão anterior. A avaliação é do presidente da Câmara Municipal, vereador Dr. César Maia (MDB), que afirmou que a prefeita Nilda Cruz (Solidariedade) assumiu uma administração engessada e ainda tenta reorganizar o funcionamento da máquina pública.
Ela encontrou a prefeitura com muitas dificuldades. O início de gestão é sempre muito difícil, e Parnamirim não é exceção. Os gargalos são visíveis, especialmente na saúde”, afirmou, em entrevista à Band RN.

César relatou que a cidade tem apenas uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para mais de 250 mil habitantes e que a estrutura, financiada de forma tripartite, está sendo sustentada quase exclusivamente pela prefeitura. Segundo ele, o governo estadual não tem feito os repasses que lhe cabem. “A UPA custa mais de R$ 2 milhões aos cofres do município e está funcionando de forma improvisada, com pacientes internados por 15, 20, até 30 dias. Isso sobrecarrega o serviço e foge completamente da proposta original da unidade, que é prestar atendimento emergencial e encaminhar para a rede”, afirmou o vereador, que é médico de carreira no município.
Apesar de ter apoiado Nilda na eleição, César lembrou que não foi o nome indicado pela prefeita na disputa pela presidência da Câmara e que, no início do mandato, a relação foi marcada por crise e desconfiança. “Hoje a prefeita me considera da base. Conversamos praticamente todos os dias, a relação institucional melhorou e temos feito o possível para garantir governabilidade. Mas é importante lembrar que não fui o candidato dela para a presidência da Casa”, disse. Ele afirmou ainda que a Câmara tem cumprido seu papel de forma propositiva e contribuiu recentemente com a aprovação de um remanejamento de 22% no orçamento municipal para permitir a retomada de obras paradas e a liberação de recursos de empréstimo.
Durante a entrevista, o presidente da Câmara fez questão de reforçar que a Casa Legislativa tem assumido responsabilidades que, na prática, deveriam ser do Executivo. Exemplo disso é a reestruturação da Escola do Legislativo Professora Eva Lúcia, que completa 20 anos com novo formato e público ampliado. Foram firmadas parcerias com entidades para oferta de cursos técnicos gratuitos. Também estão sendo organizadas turmas nos bairros para capacitação de cuidadores de idosos, com prioridade para mulheres vítimas de violência ou em situação de vulnerabilidade. Um convênio com a Câmara dos Deputados permitirá que os cursos do Centro de Formação (Cefor) também sejam disponibilizados localmente. “A Escola do Legislativo virou um centro de formação profissional. Estamos suprindo, na medida do possível, a ausência do Executivo nessa área”, disse.
Outra frente de atuação da Câmara é a implantação da Agenda 2030 da ONU, com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Parnamirim foi a primeira cidade do RN a formalizar adesão ao compromisso.
César citou como prioridade para o segundo semestre, também, a criação de um departamento de saúde para os servidores, com foco em saúde mental, ergonomia e ginástica laboral. Segundo ele, o ambiente legislativo também é afetado por sobrecarga e tensão, e a estrutura dará suporte aos funcionários da Casa.
Na área da mobilidade urbana, o vereador defendeu a construção da Via Verde, que ligará a avenida Olavo Montenegro à BR-101, margeando o Rio Pitimbu. O projeto prevê 3,6 km de via duplicada, ciclovia, calçadão e será implantado em uma região de expansão urbana com expectativa de chegada de empreendimentos privados, universidades e até uma nova unidade da Liga Contra o Câncer, anunciada pelo senador Styvenson Valentim (PSDB) com investimento de R$ 67 milhões, com recursos de emenda parlamentar. A obra da Via Verde, orçada em R$ 25 milhões, ainda não tem recursos assegurados. “Vamos articular apoio das bancadas estadual e federal. É uma intervenção urbana necessária. Se não fizermos agora, vamos inviabilizar a moradia naquela região”, alertou.
Autor da primeira lei municipal do RN voltada à endometriose, César Maia lembrou que o dispositivo facilita o acesso ao diagnóstico e tratamento de mulheres com a doença. A legislação garante prioridade no atendimento pelo SUS e acesso facilitado a consultas, exames e especialistas. “A endometriose afeta 10% das mulheres, prejudica sua saúde física, emocional e reprodutiva. A lei busca assegurar a dignidade dessas mulheres”, explicou.
Como presidente da Câmara, também firmou convênio com a Hemonorte para que a sede do Legislativo seja ponto fixo de coleta de sangue a partir de setembro. Segundo levantamento interno, 30% dos servidores já são doadores e 20% têm interesse em se cadastrar. “Queremos que a Câmara também seja um espaço de cidadania, não apenas de debate político”, afirmou.