O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) prometeu implantar o pagamento do 13º salário dos servidores estaduais no mês de aniversário, com a possibilidade de recebimento em dezembro, conforme a escolha do trabalhador. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira 7, também assumiu o compromisso de quitar, em janeiro de 2027, eventual atraso do benefício referente a 2026.
“Eu vou implantar a política de pagar no mês de aniversário do servidor, ou pagar em dezembro, como o servidor queira”, declarou Allyson. O candidato apresentou a proposta como uma mudança na organização dos pagamentos do funcionalismo e afirmou que pretende impedir a transferência do benefício para o exercício seguinte. “Nós não vamos fazer com que o 13º fique para o ano posterior. É compromisso meu, é compromisso nosso.”

A declaração de Allyson foi uma resposta ao ex-secretário estadual Pedro Lopes, que afirmou confiar no recebimento do 13º apenas se Cadu de Lula (PT) vencer a eleição. Allyson e Cadu disputam o segundo turno das eleições para o Governo do Estado.
Ao tratar do pagamento referente a este ano, Allyson afirmou que o governo Fátima Bezerra (PT) deixará uma pendência para o próximo gestor, que tomará posse em 6 de janeiro. A fala tem como referência os exercícios anteriores, em que a gestão estadual não conseguiu pagar os benefícios antes da virada do ano. Por lei, o 13º salário precisa ser pago até o dia 20 de dezembro.
“O 13º eles vão atrasar. Mas eu tenho esse compromisso de pagar em janeiro, assim que eu assumir o governo, o 13º que vai ficar atrasado desse ano para 2027”, disse.
Para sustentar a promessa, Allyson citou sua experiência na Prefeitura de Mossoró. Ele lembrou que, ao assumir a administração municipal, em janeiro de 2021, quitou o 13º de 2020 que havia sido deixado pela gestão anterior, da ex-prefeita Rosalba Ciarlini. Também adotou o pagamento no aniversário dos servidores.
Resposta a ex-secretário
A reação ocorreu após o ex-secretário de Administração Pedro Lopes, que integrou a gestão Fátima até o fim do ano passado, publicar um vídeo na terça-feira 6. Na gravação, ele dirigiu-se aos servidores e associou sua confiança no recebimento do benefício à vitória de Cadu. “Eu só confio em receber o 13º salário se Cadu ganhar a eleição”, afirmou.
Pedro disse ter conversado pessoalmente com Cadu sobre o assunto e manifestou dúvida em relação ao adversário. “Eu já conversei com ele pessoalmente. Eu sei que eu vou receber o meu 13º”, declarou. Na sequência, orientou os servidores que pretendem votar em Allyson a cobrar uma manifestação pública do candidato: “Exija dele um compromisso público, um vídeo dizendo que em janeiro, quando eu assumir, se o 13º não tiver pagado ainda, ele vai pagar?”
Allyson classificou a fala como uma tentativa de intimidação e abriu sua resposta com críticas ao ex-integrante do governo. “Bateu o desespero. Isso aqui é um absurdo”, afirmou. “O ex-secretário do governo ameaçando os servidores com algo que é direito, é garantido na Constituição, que é receber o 13º salário”, declarou.
O candidato também interpretou o vídeo como um reconhecimento de que o atual governo não pagaria o benefício dentro do prazo. “Já está reconhecendo que a governadora, por mais um ano, não vai pagar o 13º salário em dia dos servidores”, disse. Ao longo da resposta, vinculou o compromisso de pagamento à defesa de sua experiência administrativa: “Eu posso falar, porque eu já fiz. Eu sei o que é pegar um ente público desorganizado e organizar”.
Além do 13º, Allyson criticou a situação dos consignados e da Previdência estadual. Afirmou que aposentados e pensionistas enfrentam atrasos e dificuldades para contratar empréstimos. Também relacionou a disputa ao resultado do primeiro turno. “Mais de 60% do Estado quer mudança, e nós vamos mudar”, declarou, apresentando sua leitura do resultado como argumento para a campanha do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na quarta-feira 7, depois da resposta de Allyson, Pedro publicou um segundo vídeo e negou ter feito ameaça. Disse ter recebido “mensagens de ódio” e acusações de “terrorismo”. Para contestá-las, mencionou os atrasos salariais anteriores à gestão Fátima e afirmou que o governo reorganizou as finanças, quitou pendências, realizou concursos e estruturou carreiras. “Terrorismo era o que a gente vivia até 2018”, declarou.
Pedro também ressaltou que deixou o governo em novembro de 2025. “Eu não tenho qualquer poder de decisão sobre o que vai ou não acontecer em relação a decisões administrativas”, afirmou. Disse acreditar que Fátima trabalhará para pagar o benefício ainda em 2026 e apresentou o primeiro vídeo como uma hipótese. “Eu só confio que vou receber se Cadu continuar como governador. É a minha opinião”, declarou.
Sobre a resposta de Allyson, acrescentou: “Que bom que o adversário fez um vídeo compromisso como nós o desafiamos. O vídeo está guardado”.