O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não participar dos debates promovidos por emissoras de televisão e outros veículos de comunicação durante o primeiro turno das eleições. A decisão ainda não foi tomada e divide a cúpula petista às vésperas da oficialização da candidatura à reeleição.
Uma ala do partido considera que Lula ficaria excessivamente exposto por ser o único candidato de esquerda diante de adversários alinhados à direita, como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Outro grupo defende a presença do presidente nos debates para permitir confrontos diretos com Flávio Bolsonaro, apontado como seu principal adversário na disputa.
Convites obrigatórios
Pela legislação eleitoral, as emissoras serão obrigadas a convidar apenas Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury (Avante), cujos partidos atendem ao critério mínimo de representação no Congresso Nacional.
A avaliação de aliados do presidente é que uma eventual ausência de Lula também poderia levar Flávio Bolsonaro a não comparecer aos debates, evitando responder a questionamentos sobre sua relação com o caso Banco Master.
Estratégia de campanha
A estratégia eleitoral do PT prevê explorar o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, além das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros e da proximidade do bolsonarismo com o presidente norte-americano Donald Trump.
A ausência de presidentes candidatos à reeleição em debates do primeiro turno já ocorreu em eleições anteriores. Lula não participou dos encontros em 2006, enquanto o então presidente Fernando Henrique Cardoso também ficou fora dos debates em 1998.
Primeiro debate está marcado para agosto
A primeira definição deverá ocorrer em relação ao debate promovido pela Band, marcado para 16 de agosto.
Na mesma data, o PT pretende lançar oficialmente a candidatura de Lula no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local considerado simbólico na trajetória sindical e política do presidente.
A direção do partido trabalha para manter o ato na data prevista, embora o evento ainda possa ser adiado para permitir eventual participação de Lula no debate.