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Investigação

Missionários que pregavam em presídios são investigados por ligação com facção em Mato Grosso

Investigação aponta que família de religiosos usava acesso a presídios para manter contato com integrantes do CV e movimentar recursos financeiros
Agora RN
14/09/2026 | 10:22

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida e seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, teriam usado o acesso a unidades prisionais durante atividades religiosas para manter contato com integrantes do Comando Vermelho. Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), os três foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A família integrava um grupo autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa em presídios. A investigação começou após uma denúncia sobre a possível ligação dos três com integrantes da organização criminosa. De acordo com a polícia, eles teriam aproveitado a entrada nas unidades para se aproximar de lideranças que cumpriam pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá.

Imagem mostra família de religiosos com armas
Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, Orminda e Nivaldo de Almeida, prestavam assistência religiosa em unidades prisionais e foram indiciados pela Polícia Civil - Foto: Reprodução/ TV Globo

Os investigadores afirmam que os suspeitos transmitiam recados, disponibilizavam contas bancárias para movimentações financeiras e auxiliavam na ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas. Mensagens, fotos, vídeos e áudios obtidos com autorização judicial fazem parte do material reunido no inquérito.

Entre os registros analisados estão imagens de Rhavenna exibindo armas, quantias em dinheiro, joias e veículos de luxo. A polícia também identificou contatos da missionária com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Batman cumpria pena na mesma unidade prisional frequentada pela família durante as atividades religiosas. Em setembro de 2024, ele recebeu autorização para cumprir pena em regime semiaberto, mas, segundo a investigação, rompeu a tornozeleira eletrônica poucos dias depois e fugiu para o Rio de Janeiro.

A Polícia Civil afirma que Rhavenna mantinha contato frequente com Batman e sabia onde ele estava escondido. Entre as mensagens analisadas estão compartilhamentos de localização e conversas sobre operações policiais realizadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Polícia aponta relacionamento com foragido

A investigação concluiu ainda que Rhavenna e Batman mantinham um relacionamento amoroso. Segundo a polícia, ela viajava com frequência ao Rio de Janeiro para encontrar o foragido e participava de momentos de lazer financiados pelo grupo criminoso.

Entre os bens relacionados pela investigação está um Porsche avaliado em cerca de R$ 600 mil, que aparecia em publicações da missionária nas redes sociais. A polícia afirma que o veículo pertencia a Batman. Registros de joias, festas e viagens também foram incluídos no material analisado.

Outras mulheres que frequentavam unidades prisionais como missionárias também passaram a ser investigadas. Conforme a Draco, algumas delas mantinham relacionamentos com traficantes e teriam mentido em depoimentos à polícia. Por esse motivo, foram indiciadas por falso testemunho.

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Missionária suspeita de envolvimento com crime organizado mantinha relacionamento com criminosos, diz polícia — Foto: Reprodução/TV Globo

Investigação aponta segundo relacionamento

A Polícia Civil também identificou uma ligação entre Rhavenna e Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele está preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.

De acordo com o inquérito, Rhavenna e Renildo também mantinham um relacionamento amoroso. A investigação aponta que o preso enviava presentes à missionária, entre eles joias e um veículo. Conversas obtidas pela polícia indicariam ainda que ela tinha conhecimento da posição ocupada por Renildo dentro da organização criminosa.

Justiça proíbe assistência religiosa em presídios

Rhavenna Barcelos de Almeida, Orminda de Almeida e Nivaldo de Almeida foram indiciados pela Polícia Civil por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.

A Justiça de Mato Grosso determinou que os investigados e outras quatro pessoas mencionadas no inquérito não participem de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização para impedir o uso de celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.

A defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos durante o processo. A defesa de Orminda declarou que ela não tem qualquer participação em organização criminosa. Nivaldo de Almeida morreu nesta semana em consequência de um câncer.