Os professores e educadores infantis da rede municipal de ensino de Natal iniciaram nesta quinta-feira 6 uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleia pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de Natal (Sinte/RN) e começou após a comunicação oficial da decisão às unidades de ensino da capital.
No primeiro dia de mobilização, o cenário encontrado em algumas escolas municipais foi de ausência de estudantes e suspensão das atividades pedagógicas. Na Escola Municipal Ferreira Itajubá, localizada no bairro das Quintas, na Zona Oeste de Natal, os portões permaneceram fechados durante o horário em que normalmente haveria chegada de alunos.

A paralisação ocorre exclusivamente entre os profissionais responsáveis pelo ensino em sala de aula. Servidores de setores administrativos e de apoio, como equipes da cozinha, limpeza e portaria, permaneceram nas unidades cumprindo suas atividades. Por esse motivo, alguns trabalhadores ainda estavam presentes nas escolas, mesmo com a suspensão das aulas.
A decisão pela greve foi tomada pela categoria após cobranças relacionadas à política salarial dos profissionais da educação municipal. Entre as principais reivindicações está a aplicação de um reajuste salarial imediato de 4,6% referente ao ano de 2026, além da reposição das perdas acumuladas ao longo dos anos.
Segundo representantes dos trabalhadores, a paralisação foi definida após a categoria avaliar que as demandas apresentadas ao município ainda não tiveram uma resposta considerada satisfatória. Com a aprovação do movimento, as escolas municipais foram comunicadas sobre o início da greve e os estudantes foram orientados sobre a suspensão temporária das aulas.
Além da interrupção das atividades escolares, a categoria realizou um ato público em frente ao Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura de Natal, e saiu em caminhada até a Secretaria de Educação, para marcar o início da mobilização e apresentar as reivindicações aos gestores municipais.
A greve atinge professores e educadores infantis que atuam na rede municipal de ensino, responsável pelo atendimento de estudantes da educação infantil e do ensino fundamental. Durante o período de paralisação, o sindicato afirma que pretende manter a mobilização para pressionar pela abertura de negociações com a administração municipal.
A categoria também cobra a valorização profissional e a recomposição das perdas salariais acumuladas, apontando que os reajustes aplicados ao longo dos últimos anos não teriam acompanhado as perdas registradas pelos servidores.
O movimento ocorre no início do segundo semestre letivo e deve afetar a rotina de milhares de estudantes da rede municipal. A duração da paralisação dependerá do andamento das negociações entre representantes dos professores e a Prefeitura de Natal.
Até o momento, a administração municipal ainda não havia divulgado uma proposta para atender às reivindicações apresentadas pela categoria nem informado medidas relacionadas ao funcionamento das escolas durante a greve.
Prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME) informou que mantém um diálogo “permanente e respeitoso” com o Sinte-RN e afirmou que recebeu representantes da entidade no dia 27 de julho para discutir a pauta apresentada pela categoria.
A secretaria declarou que, desde o início das tratativas, busca conduzir as negociações com “responsabilidade, transparência e compromisso com a valorização dos profissionais da educação”, considerando os limites legais, orçamentários e financeiros do município.
Sobre a decisão aprovada em assembleia, a SME afirmou que somente irá se manifestar oficialmente após receber a comunicação formal do sindicato sobre a deflagração da greve.
A pasta acrescentou que permanece aberta às negociações e reafirmou o diálogo como instrumento para construção de soluções. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o processo deve preservar o direito à negociação e o compromisso da administração municipal com a qualidade da educação pública e com os estudantes atendidos pela rede.