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Justiça

Chefes da PF saem em defesa de Andrei Rodrigues

Nota conjunta ressalta atuação técnica e independente da corporação após desgaste envolvendo investigação sobre Lulinha
Por O Correio de Hoje
06/08/2026 | 17:14

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram nesta quarta-feira uma nota conjunta em defesa do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A manifestação ocorre em meio ao aumento da tensão entre a instituição e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria de investigações de grande repercussão conduzidas pela PF.

No documento, os chefes regionais ressaltam que, em seus 82 anos de existência, a Polícia Federal consolidou-se como uma instituição de Estado comprometida com a Constituição, a legalidade, a imparcialidade e a preservação do Estado Democrático de Direito.

Superintendentes regionais da PF defendem Andrei Rodrigues e ressaltam a independência da corporação em meio ao atrito com André Mendonça.
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em atrito com o Supremo Foto: Lula Marques / Agência Brasil

A nota afirma que a credibilidade da corporação resulta da atuação “técnica e independente” de seus servidores. Segundo o texto, o trabalho é orientado “exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”.

Os superintendentes sustentam ainda que a atividade investigativa “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”. A declaração é interpretada como uma resposta aos questionamentos sobre a atuação da PF em processos sob a relatoria de Mendonça.

O documento também defende a independência técnica das investigações e a autonomia administrativa da Polícia Federal. Para os signatários, essas condições são indispensáveis ao cumprimento da missão constitucional da corporação e existem “em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei”.

Os chefes regionais reconhecem que o debate público e as críticas fazem parte do ambiente democrático. Ponderam, no entanto, que essas manifestações não devem ser utilizadas para enfraquecer a credibilidade das instituições e a confiança depositada nelas pela sociedade.

Ao final, os 27 superintendentes reafirmam a confiança na direção-geral da Polícia Federal e o compromisso com a Constituição, a democracia, a legalidade e o interesse público. Também defendem a preservação de uma corporação “forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional”.

A manifestação foi divulgada após o agravamento do desgaste entre a PF e o gabinete de André Mendonça durante a tramitação do pedido de abertura de inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao solicitar a investigação, a Polícia Federal argumentou que os fatos apurados eram diferentes daqueles examinados na Operação Sem Desconto. Por esse motivo, sustentou que não existia conexão jurídica capaz de justificar a distribuição do procedimento a Mendonça por prevenção.

A Procuradoria-Geral da República concordou com o entendimento apresentado pela PF. Diante disso, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o procedimento fosse distribuído por sorteio entre os integrantes do Supremo.

O sistema eletrônico, entretanto, sorteou o próprio André Mendonça para assumir a relatoria. Nos bastidores da Corte, a argumentação apresentada pela Polícia Federal foi interpretada por integrantes do STF como uma tentativa de afastar o ministro da condução do processo. Essa avaliação contribuiu para aprofundar o desgaste entre a corporação e o gabinete do magistrado.