Os semáforos inteligentes de Natal saíram do papel no plano financeiro: a prefeitura contratou R$ 32,2 milhões para instalar o sistema na capital. O projeto vai modernizar 197 cruzamentos, colocar câmeras e sensores nas vias e adotar tecnologia capaz de mudar o tempo dos sinais conforme o volume de carros. Outra parte do plano cria mecanismos para dar preferência ao transporte público.
O contrato de financiamento nº 0647669-80, assinado com a Caixa Econômica Federal, saiu no Diário Oficial do Município (DOM) da terça-feira 22. São R$ 32.197.415,12 bancados pelo FGTS, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O dinheiro vem pelo Programa Pró-Transporte, na linha de mobilidade urbana sustentável voltada a grandes e médias cidades, dentro do Novo PAC.

A contratação dá sequência ao que a prefeitura já vinha montando. No dia 9, a gestão municipal abriu um crédito suplementar de R$ 27.756.024,94 no orçamento da STTU, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. O valor foi reservado para a ação batizada de “Semáforos Inteligentes para Priorização do Transporte Público Coletivo – Pró-Transporte”, e a fonte era uma operação de crédito.
Agora o extrato publicado no DOM formaliza os R$ 32,197 milhões. O contrato prevê carência de 36 meses, prazo de 24 meses para o desembolso e amortização em 240 meses — 20 anos — depois que a carência terminar. A operação tinha sido autorizada pela Lei Municipal nº 270/2025.
O desenho do financiamento divide a operação em três tempos: 36 meses de carência, até 24 meses para a Caixa liberar as parcelas do dinheiro e, encerrada a carência, 240 meses de amortização. O valor contratado ficou cerca de R$ 4,4 milhões acima do crédito suplementar aberto no orçamento da STTU no início do mês.
O que muda nas ruas
Pelo planejamento apresentado antes pela prefeitura, os 197 cruzamentos se dividem em dois grupos: 138 recebem tecnologia adaptativa, capaz de alterar sozinha os tempos dos sinais conforme o movimento da via, e outros 59 ficam ligados a uma central de controle.
A mudança altera o funcionamento de parte da rede semafórica da cidade. Em vez de trabalhar só com tempos programados de antemão, os equipamentos vão usar informações colhidas em tempo real para esticar ou encurtar os ciclos de abertura e fechamento.
Na prática, a avenida com mais carros parados pode ganhar mais tempo de verde, enquanto a via de fluxo fraco tem esse período reduzido. A STTU calcula que a tecnologia pode cortar cerca de 20% do tempo gasto nas viagens nos horários de maior movimento.
Outra parte do projeto são os 483 pontos de coleta de dados por videodetecção. Instaladas nas vias, câmeras e sensores acompanham o movimento dos veículos e entregam ao sistema as informações que definem o tempo de cada sinal.
O número de pontos de coleta dá uma média de dois a três equipamentos por cruzamento contemplado, o que permite acompanhar mais de uma aproximação em cada interseção, e não apenas o fluxo de uma das ruas.
Pedestres e ônibus
Estão previstas também 398 botoeiras sonoras para pedestres, com recursos de acessibilidade. Esses equipamentos permitem ajustar o tempo de travessia, inclusive para quem tem mobilidade reduzida.
Outra função são as chamadas “ondas verdes”: vários cruzamentos sincronizados, de modo que o motorista pegue uma sequência de sinais abertos em certos corredores. O sistema também vai poder identificar situações específicas para abrir caminho a veículos de emergência, como as ambulâncias.
A prioridade ao transporte público é um dos eixos do projeto — o próprio contrato define como objeto a implantação de semáforos inteligentes para “priorização do transporte público coletivo”. A tecnologia deve ajustar os tempos para reduzir as paradas que os ônibus enfrentam nos corredores atendidos, encurtando as viagens e dando mais regularidade aos horários.
Parte dos novos equipamentos ficará conectada a uma central de controle. Assim, intervenções que hoje exigem mandar equipe até o cruzamento poderão ser feitas a distância, diante de congestionamento ou de outra ocorrência que atrapalhe o trânsito.
O planejamento inclui ainda nobreaks em alguns pontos, para que os semáforos continuem funcionando por algum tempo quando faltar energia.
O projeto já foi apresentado ao CMTMU, o Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana. Quem assinou o contrato de financiamento, em 10 de setembro, foram o prefeito Paulinho Freire e André Ricardo Mendes Vieira, gerente de filial na Gerência Executiva de Governo Natal/RN da Caixa.
O prazo para liberar o dinheiro é de até 24 meses, contados da assinatura. O extrato publicado na terça-feira não informa quando começa a instalação dos equipamentos nos cruzamentos.