As faixas exclusivas de ônibus em Natal acumularam 76.808 infrações nos últimos 12 meses, o equivalente a mais de 210 flagrantes por dia e a quase 76,8 mil no ano. Diante desse volume, a Fetronor — federação que reúne as empresas de transporte de passageiros do Nordeste — voltou a alertar para o uso irregular dos corredores reservados ao transporte coletivo.
O alerta chega um ano depois de a entidade lançar sua campanha de conscientização sobre o respeito aos corredores. Na avaliação da federação, carros particulares seguem ocupando indevidamente esses espaços, o que atrapalha a circulação dos ônibus e faz o passageiro demorar mais para chegar ao destino.

Natal tem hoje 55,97 quilômetros de faixas exclusivas. Parte desses corredores é só para ônibus; em outros trechos, o espaço é dividido com ciclistas. O corredor mais recente foi implantado na Zona Norte, ao longo da Avenida Moema Tinoco da Cunha Lima.
No mês passado, a STTU, secretaria municipal que cuida da mobilidade, reforçou as ações educativas sobre como circular nessas faixas e anunciou novos equipamentos de monitoramento. É o passo que costuma anteceder a fiscalização eletrônica.
“Não é um espaço vazio na avenida”
Para o presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, fiscalizar não basta: é preciso mudar o comportamento de quem dirige. A entidade pretende intensificar a campanha em defesa da prioridade do transporte coletivo nos corredores.
“A faixa exclusiva não é um espaço vazio na avenida. É uma via destinada ao deslocamento de milhares de pessoas. Quando um carro ocupa irregularmente esse espaço, não interfere apenas na circulação de um ônibus. Atrasa a viagem de todos os passageiros que estão dentro dele”, afirma.
Dados citados pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) ajudam a dimensionar a conta: um ônibus comum leva a mesma quantidade de gente que 40 automóveis, considerando dois ocupantes por carro, e ocupa um espaço até 20 vezes menor na via.
A federação argumenta que manter os corredores livres aumenta a velocidade e a regularidade dos ônibus, o que encurta o tempo que o passageiro gasta no trajeto. “Estamos falando de milhares de pessoas que precisam chegar ao trabalho, à escola, a consultas médicas e a outros compromissos. Cada atraso provocado pela ocupação irregular da faixa afeta diretamente a rotina desses passageiros”, diz Laranjeiras.
A campanha também se liga à Semana Nacional de Trânsito, que neste ano traz o tema “Desacelere. Seu bem maior é a vida”. “Desacelerar não significa apenas tirar o pé do acelerador. Significa respeitar o espaço de cada um e fazer escolhas que melhorem a mobilidade de toda a cidade. Respeitar a faixa de ônibus é respeitar o tempo de quem está dentro dele”, conclui o presidente da Fetronor, ao encerrar o balanço de um ano de campanha.