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Tecnologia

OpenAI propõe fundo público e novas políticas para mitigar impacto da IA no emprego

Documento sugere fundo público, proteção social e divisão de ganhos de produtividade
Por O Correio de Hoje
07/04/2026 | 13:36

A OpenAI apresentou um conjunto de propostas de políticas públicas voltadas a reduzir os impactos sociais da inteligência artificial, especialmente sobre o mercado de trabalho. Entre as sugestões estão a criação de um fundo público de riqueza, mecanismos de proteção social mais ágeis e investimentos na expansão da infraestrutura energética.

As recomendações foram divulgadas em documento publicado nesta segunda-feira, intitulado “Política Industrial para a Era da Inteligência: ideias para manter as pessoas em primeiro lugar”. No material, a empresa aborda os efeitos da chamada “superinteligência” — conceito que descreve sistemas capazes de superar humanos em praticamente todas as tarefas, embora essa tecnologia ainda não exista.

Open AI
Empresa de tecnologia aborda os efeitos da chamada “superinteligência” - Foto: reprodução

Um dos principais pontos do documento é a defesa de um fundo público que distribua parte dos ganhos econômicos gerados pela IA à população. A proposta, segundo a empresa, busca garantir que os benefícios da tecnologia sejam compartilhados de forma mais ampla.

A OpenAI também sugere iniciativas para dividir os ganhos de produtividade com os trabalhadores. Entre elas, está o incentivo a testes de jornadas reduzidas, como semanas de quatro dias, desde que não haja queda de desempenho.

Outra frente envolve o monitoramento contínuo dos efeitos da IA sobre indicadores como salários e desemprego. A proposta prevê que, caso esses indicadores ultrapassem determinados limites, sejam acionados mecanismos automáticos de proteção, como ampliação do seguro-desemprego e programas de requalificação profissional.

De acordo com a empresa, o conjunto de medidas deve servir como base para um debate mais amplo sobre o futuro do trabalho. “As discussões sobre políticas para IA precisam ser tão transformadoras quanto a própria tecnologia”, afirmou Chris Lehane, diretor global de assuntos públicos da companhia.

Fundada em 2015, a OpenAI ganhou projeção global com o lançamento do ChatGPT, em 2022, marco do avanço recente da chamada IA generativa. A organização, inicialmente estruturada como entidade sem fins lucrativos, passou posteriormente por mudanças e adotou um modelo empresarial mais tradicional.

A empresa afirma trabalhar no desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral (AGI), que corresponderia a sistemas capazes de executar a maioria das tarefas com desempenho equivalente ao humano. Mais recentemente, o debate no setor passou a incluir a possibilidade de sistemas ainda mais avançados, classificados como superinteligência.

No documento, a OpenAI define esse estágio como “sistemas de IA capazes de superar os humanos mais inteligentes, mesmo quando assistidos por IA”.

Apesar da ampla adoção da tecnologia — o ChatGPT é utilizado por mais de 900 milhões de pessoas por semana no mundo —, a percepção pública ainda é marcada por preocupações. Entre os principais pontos estão o risco de substituição de empregos e o elevado consumo de energia associado a data centers.

Empresas do setor, como a OpenAI e a Anthropic, têm ampliado esforços para dialogar com governos e sociedade sobre esses impactos. “Não é suficiente simplesmente apontar tudo o que pode acontecer sem apresentar soluções concretas”, afirmou Lehane.