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Eleições nos EUA

Americanos votam nesta terça-feira 3 para definir controle do Congresso no governo Trump

Disputa renova as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 do Senado e 36 governos estaduais; primeiras urnas fecham às 20 horas no horário de Natal
Agora RN
02/11/2026 | 18:34

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira 3 nas eleições de meio de mandato, que definem quem controlará o Congresso nos dois últimos anos do governo de Donald Trump. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e o comando de 36 estados. O nome de Trump não aparece na cédula, mas o resultado vai determinar se o presidente terá maioria para aprovar sua agenda até janeiro de 2029.

Os republicanos controlam hoje as duas casas, com margens estreitas. No Senado, o partido de Trump tem 53 cadeiras, contra 47 dos democratas e independentes que votam com eles. Na Câmara, a composição registrada em setembro era de 219 republicanos e 214 democratas, com duas vagas abertas; para ter maioria, um partido precisa de 218 cadeiras. Das 35 vagas do Senado em jogo, 33 são da renovação regular e duas são eleições especiais, em Ohio e na Flórida.

Eleições nos EUA: Capitólio, sede do Congresso americano, em Washington
Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, em Washington. — Architect of the Capitol (domínio público)

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Campanha

Trump admitiu na sexta-feira 30, no Salão Oval, que a história joga contra o governo. “Normalmente, um presidente, seja bom ou ruim, republicano ou democrata, perde as eleições de meio de mandato”, disse, segundo a agência France-Presse. Em seguida, afirmou que os republicanos têm chance. “Acho que temos chance de ir bem. Talvez muito bem, mas, sabe, razoavelmente bem”, declarou o presidente.

O partido do presidente perdeu cadeiras em 20 das 22 eleições de meio de mandato realizadas desde 1938, segundo levantamento do instituto Brookings. Os republicanos chegam à votação pressionados pelo custo de vida, pela desaceleração da economia, pelas tarifas de importação e pelo conflito com o Irã, temas apontados pelas agências internacionais como centrais na campanha. Na reta final, Trump cancelou e depois remarcou comícios no Kansas e em Iowa e pediu aos eleitores que votassem como se ele estivesse na cédula.

A participação antecipada bateu recorde. Até sexta-feira, 47,9 milhões de americanos já tinham votado pelo correio ou presencialmente, com alta nos estados mais disputados.

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Horários

Com o fim do horário de verão nos Estados Unidos, no domingo 1º, a costa leste do país fica duas horas atrás de Natal. As primeiras urnas fecham às 20 horas no horário de Natal, em partes de Indiana e do Kentucky. Às 21 horas encerram a votação estados como Geórgia, Virgínia e Carolina do Sul; às 21h30, Carolina do Norte e Ohio; e às 22 horas, Pensilvânia, Michigan, Texas e a maior parte da costa leste. A Califórnia e os demais estados do Pacífico fecham à 1 hora da quarta-feira 4, e o último posto, nas Ilhas Aleutas, no Alasca, às 3 horas.

As apurações começam logo após o fechamento das urnas, e parte das disputas costuma ser definida na própria noite. As corridas apertadas em estados que contam votos pelo correio por vários dias, porém, podem levar uma semana ou mais. Em 2022, a maioria da Câmara só foi definida em 16 de novembro, oito dias depois da votação. O controle do Senado também pode não ser conhecido na madrugada de quarta-feira.

Brasil

A eleição americana ocorre nove dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno de 25 de outubro, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A relação entre Lula e Trump passou por tensão em 2025, com as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e por uma reaproximação; em agosto, Lula telefonou a Trump para pedir a retomada das negociações comerciais. Um Congresso com outra maioria pode ampliar a fiscalização sobre a política de tarifas da Casa Branca, mas a negociação com o Brasil continua nas mãos do Executivo americano.

Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos desde a semana passada. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a apreensão dos passaportes do senador, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e pela origem dos recursos do filme “Dark Horse”. A Polícia Federal informou que a restrição de documentos, por si só, não o torna foragido, e que apura o descumprimento da ordem. Flávio nega irregularidades.

Os eleitos para o Congresso tomam posse em 3 de janeiro de 2027. Até lá, a atual legislatura, de maioria republicana, segue em funcionamento e precisa aprovar um novo orçamento, já que o financiamento provisório do governo federal vale até 11 de dezembro.

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