BUSCAR
BUSCAR
Eleições nos EUA

Democratas conquistam Câmara e Senado dos EUA e impõem derrota a Trump nas eleições

Oposição terá maioria no Congresso a partir de janeiro de 2027; presidente diz que aceitará resultado e buscará acordos, mas sinaliza uso de vetos
Agora RN
04/11/2026 | 08:21

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira 3. Confirmado na madrugada desta quarta-feira 4, o resultado retira dos republicanos o controle das duas Casas e amplia os obstáculos à agenda do presidente Donald Trump.

Os parlamentares eleitos assumirão em janeiro de 2027. Com maioria no Congresso pelos próximos dois anos, os democratas terão mais poder para definir votações, fiscalizar o governo e conduzir investigações sobre a administração republicana.

Donald Trump fala com jornalistas diante do Air Force One; democratas venceram as eleições de meio de mandato
Donald Trump conversa com jornalistas antes de embarcar no Air Force One, em julho de 2026 — Daniel Torok/Casa Branca

Leia mais: Americanos votam nesta terça-feira 3 para definir controle do Congresso no governo Trump

Na contagem parcial, o bloco democrata alcançou 54 das 100 cadeiras do Senado, enquanto os republicanos tinham 44. Duas disputas permaneciam indefinidas. Na Câmara, os democratas haviam conquistado 228 assentos, acima dos 218 necessários para formar maioria, contra 139 dos republicanos, com 68 resultados pendentes.

Gráfico mostra a disputa pelo controle da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato
Disputa pela Câmara dos EUA — Reprodução AP

O avanço incluiu vitórias em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos. No Texas, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted. O partido também manteve cadeiras disputadas na Geórgia, com a reeleição de Jon Ossoff, e em New Hampshire, onde Chris Pappas foi eleito.

Na Câmara, a oposição conquistou mais de duas dezenas de distritos que estavam sob controle republicano. A mudança encerra o domínio do partido de Trump sobre o Legislativo e exigirá negociações para aprovar propostas que dependam do Congresso.

Leia mais: Trump descarta encontro com Flávio nos EUA: “Pode ficar o tempo que quiser”

Após a confirmação da vitória democrata, Trump afirmou que aceitará o resultado e demonstrou disposição para dialogar com os adversários.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento.”

O presidente também sinalizou que poderá recorrer a vetos para barrar propostas da oposição. Depois dos primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.

Antes da votação, Trump já havia dito que poderia se tornar o “Sr. Veto” caso os democratas conquistassem o Congresso. O instrumento permite ao presidente rejeitar projetos aprovados pelos parlamentares, embora o Legislativo possa derrubar a decisão mediante apoio de dois terços em cada Casa.

As eleições de meio de mandato ocorrem na metade do mandato presidencial. Neste ano, os americanos votaram para renovar todas as 435 cadeiras da Câmara e escolher representantes para 35 das 100 vagas do Senado.

Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis. Trump continua na Presidência, mas enfrentará um Congresso controlado pela oposição na segunda metade de seu mandato.

Leia mais: Pelo menos 18 ações contra Lula e Flávio seguem no TSE depois da eleição; veja o que ainda pode mudar