O governo brasileiro acompanha de perto a evolução do cenário de instabilidade no Oriente Médio e já dispõe de um plano de contingência para a eventual retirada de cidadãos brasileiros do Irã, caso a situação se deteriore. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, em entrevista à CNN, ao comentar o agravamento das tensões regionais e seus possíveis desdobramentos.
Segundo o diplomata, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém atenção constante sobre o tema, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores. “Nós já temos tudo isso desenhado, descrito, como faremos, e nós só estamos na apreensão de saber o que vai acontecer nos próximos dias”, afirmou Guimarães, ressaltando que o planejamento envolve diferentes cenários de risco.

O Itamaraty, de acordo com o embaixador, mantém contato permanente com a representação diplomática em Teerã para avaliar a necessidade de providências adicionais. Apesar do clima de apreensão, Guimarães descartou, por ora, a adoção de operações de evacuação de brasileiros, destacando que não há movimento semelhante por parte de outras missões diplomáticas instaladas no país.
“Alguns países que não têm relações ou que estão com as relações difíceis já fizeram alertas, como Canadá, Austrália e Estados Unidos, mas eu não soube de meus colegas embaixadores de nenhuma operação de retirada de evacuação de nacionais”, disse. A avaliação, segundo ele, é de que, apesar das incertezas, a situação ainda não exige medidas excepcionais.
Reportagens recentes na imprensa internacional têm destacado o aumento da tensão diplomática e militar na região, com reflexos diretos na segurança e na circulação de pessoas. Em resposta, diversos governos emitiram alertas de viagem, recomendando cautela a seus cidadãos, sobretudo em áreas consideradas sensíveis.
Guimarães relatou, no entanto, que a embaixada enfrenta desafios pontuais no acompanhamento da comunidade brasileira no país. Ele mencionou dificuldades recentes para estabelecer contato com um brasileiro em recuperação de saúde. “Um pedido que me foi feito há alguns dias de contactar um brasileiro que estava até convalescente, eu não consegui contactá-lo por telefone, o telefone chamava, ele não atendia”, afirmou.
O embaixador destacou que a missão brasileira segue monitorando a situação de seus nacionais e que eventuais decisões mais drásticas dependerão da evolução do quadro regional. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém a orientação de cautela e vigilância, reforçando o diálogo diplomático como instrumento central diante do agravamento das tensões no Oriente Médio.