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Amor & Saudade
Casais reinventam comemoração do Dia dos Namorados durante pandemia
Apaixonados e solteiros foram forçados a adaptar seus meios de interação em virtude das medidas de isolamento social
Pedro Trindade
12/06/2020 | 05:30

A pandemia causada pela Covid-19 mudou a forma como o mundo se relacionava social, profissional e afetivamente. Como efeito da necessidade de manter o distanciamento social a fim de evitar a proliferação do novo coronavírus, alguns casais terão que alinhar o sentimento de paixão ao de saudade no dia dos namorados de 2020, celebrado nesta sexta-feira (12). 

A comemoração, que muda de acordo com a cultura do país, acontece no Brasil na véspera da festa de Santo Antônio, conhecido popularmente como santo casamenteiro. E em uma festa da igreja, Emily Azevedo, 21 anos, e Carlos Matheus, 21 anos, se conheceram e começaram a namorar. Juntos há nove anos, esta é a primeira vez que o casal não celebrará o dia dos namorados próximos fisicamente. 

Emily Azevedo e Carlos Matheus. Foto: Cedida

“Estamos sem nos ver há dois meses, porque entendemos a importância de estarmos separados neste momento, principalmente depois que eu fui diagnosticada com Covid-19. Não dá pra ser egoísta ao ponto de achar que só o nosso relacionamento importa. Temos família e somos muito apegados aos familiares um do outro. Às vezes é bem difícil por causa da saudade, mas sei que quando tudo isso passar continuaremos juntos, fortes e felizes por ter vivenciado mais essa juntos”, compartilha Emily.

O casal detalha que a relação não mudou nem sofreu com o distanciamento, pois apostam no diálogo para sustentar a relação. “A nossa rotina, apesar de corrida, nos proporcionava ótimos momentos juntos. A companhia física, o carinho, o toque, tudo isso faz muita falta, mas o companheirismo, os planos, as metas, o amor e o que a gente construiu não se desfaz por causa do isolamento não”, comenta Carlos, que passou a conversar com a namorada por meio de vídeo chamada. 

A programação dos jovens para esta sexta segue indefinida, pois Emily acabou de sair da fase de recuperação da Covid-19. “Estávamos até planejando de nos ver, mas como ainda não sei como está minha imunidade, o encontro não acontecerá. O importante é que comemoramos mais um dia dos namorados e mais um ano juntos, mesmo que dessa vez separados fisicamente. Temos uma vida toda pra viver juntos”, pontua Emily.

A declaração dela reforça os dados da pesquisa online realizada pelo Google, a qual afirma que o distanciamento social vai mudar a forma de celebrar a data para 63% dos brasileiros em 2020. O estudo foi realizado com 800 brasileiros entre os dias 18 e 20 de maio.

Os dois tem o mesmo desejo: se abraçar; mas sabem que só poderão fazer isso quando for seguro para todo mundo. O período de quarentena fez com que Emily e Carlos buscasse novos meios de se relacionar e acreditar em dias melhores; e para os que não estão com clima de comemoração, eles pedem que “sintam-se abraçados e aconchegados. Sabemos que não é muito, mas é do fundo do coração. Que o sentimento de amor e perseverança nunca morra em seus corações”. 

Foi a perseverança, inclusive, que uniu Nathália Souza, 22 anos, e João Pedro Souza, 23 anos, no final de novembro de 2017. “Eu sempre o via no ônibus que eu pegava para ir ao trabalho e ele, para faculdade. Com o desejo de conhecê-lo, teve um dia que me encorajei para sentar do lado dele e puxar conversa. Deu certo. Trocamos o número do celular e, desde então, iniciamos nossa história de amor”, revela a jovem. 

Nathália Souza e João Pedro Souza. Foto: Cedida

Namorando há dois anos, o casal enfrentava a dificuldade da rotina para se encontrar antes mesmo da pandemia, mas estavam juntos sempre que possível, especialmente nos finais de semana. “Atualmente conversamos muito pelo WhatsApp, e como ela é minha vizinha eu vou lá pra dizer ‘oi’ uma vez na semana”, comenta João a medida que revela a saudade de sair com a amada para comer no rodízio de pizza.

Deixar de ir a restaurantes (25%), cancelar planos de viagens (22%) e adiar a celebração da data (12%) foram as principais mudanças declaradas pelos entrevistados no levantamento do Google. 

Apesar do contexto, a intenção de presentear permanece. O costume de presentear na data em outros anos foi declarado por 20% dos entrevistados, e para 2020, 22% disseram ter intenção de comprar presentes (56% declarou que não ia comprar e 21% não sabia ainda).

O casal explica que o dia dos namorados será comemorado através de vídeo chamada, com cada um na sua casa. “Diante da situação que vivemos, ficaremos felizes se estivermos bem, mas não tão feliz já que não estaremos juntos. De todas as formas, o importante é estarmos juntos enquanto casal, mesmo que a distância”, pontua Nathália. 

Ela revela que os dois “adaptaram o tempo disponível para compartilhar conhecimentos, assistir séries e filmes no mesmo horário e comentar o conteúdo por meio de vídeo chamada”. Nathália diz que “a saudade é a que mais maltrata. Apesar de reclamarmos da nossa rotina agitada, gostaríamos dela de volta. Particularmente eu notei algumas mudanças na forma como passamos a compreender a importância do tempo de cada um, afinal, antes de casal, somos amigos e duas pessoas diferentes”.

Nathália e João acreditam que a quarentena “será um divisor de águas para entendermos quem escolhemos para estar ao nosso lado. Nós nos amamos e por isso estamos enfrentando a distância para que em breve possamos estar bem, juntos”.

Esse desejo de estar próximo fisicamente não é sentido pelo casal Sahra Souza, 21 anos, e Caio Fonseca, 22 anos, pois estão passando a quarentena juntos. “O confinamento estreitou alguns laços, apesar de já estarmos juntos há um ano e cinco meses. Desde o início da pandemia, estamos um na casa do outro. No início ficamos na casa dele, que é em outro município e seria mais viável para um isolamento. Mas recentemente estamos na minha casa, em Natal, seguindo todas as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, explica Sahra.

Sahra Souza e Caio Fonseca. Foto: Cedida

O casal revela sentir falta de sair com os amigos e realizar programas a sós, como ir a praia e ao cinema. “Estamos nos adaptando a tudo que tem acontecido. Nosso dia dos namorados, por exemplo, não terá mudanças significativas, pois ano passado também ficamos em casa. As restrições limitam-se apenas em relação a presentes, pois não temos muitas escolhas”, justifica Caio. 

Resultados do estudo do Google mostram que com a data acontecendo mais dentro de casa do que em anos anteriores, o interesse por categorias de produtos relacionadas a esse tipo de comemoração aumenta conforme o dia dos namorados se aproxima. As principais compras para a ocasião são roupas, calçados e acessórios (25%), flores e cartões (24%), alimentos para as refeições (23%) e produtos de beleza e perfumaria (18%.)

Quando perguntados sobre o que mudará na celebração de Dia dos Namorados, 35% afirmam que pretendem fazer algo juntos em casa e 20% vão preparar um jantar. A forma de compra do presente também sofrerá mudanças devido à evolução do coronavírus no Brasil, 43% dos entrevistados declararam que irão comprar on-line – o que requer adaptações no presente também: 25% irá mudar para produtos mais fáceis de comprar online e 23% para produtos que minimizem a necessidade de troca.

Mas há pessoas que não terão gastos extras com presente neste período: os solteiros –  como Niziany Gadelha, 22 anos, que terminou seu segundo relacionamento há dois anos. Desde então, ela costuma paquerar em festas e redes sociais. “Durante o isolamento eu descobri que gosto de ser solteira. Estou bem tranquila e sigo sem expectativa com nada, mas espero que essa quarentena não demore muito”, diz.

Niziany Gadelha. Foto: Cedida

O uso de aplicativos de relacionamento cresceu em todo mundo. O aplicativo Tinder disponibilizou gratuitamente a função “passaporte”, que mostra informações diretas de pessoas de outros países. De acordo com o relatório da empresa, a taxa de uso desse recurso aumentou 15% no Brasil na última semana de março. Em outros países, como Alemanha, França e Índia, a taxa foi ainda maior: 19%, 20% e 25%, respectivamente.  

“Esperamos que nossos membros, muitos dos quais estão ansiosos e procurando conexões mais humanas, possam usar o Passaporte para se transportar da quarentena para qualquer lugar do mundo. Somos inspirados em como as pessoas estão usando o Tinder para estar lá um para o outro, e queremos ajudar a acender as chamas de solidariedade social “, disse Elie Seidman, CEO do Tinder, em um comunicado divulgado à imprensa.

Ainda no relatório, o Tinder divulgou que as conversas diárias ao redor do mundo aumentaram em média 20%; e a duração média dessas conversas já se tornou 25% maior. No Brasil, os papos aumentaram em média 25% e já estão 20% mais longos.

O aumento é justificado pelas medidas de isolamento social, que determinou o fechamento de bares, restaurantes e eventos ao vivo, fazendo que as pessoas em busca de relacionamentos sejam forçadas a adaptar seus meios de interação.

Vinicius Henrique. Foto: Cedida

Contudo, para pessoas como Vinicius Henrique, solteiro há 24 anos – mesmo tempo de vida – o uso da tecnologia para se relacionar já era comum. “Antes da necessidade de ficar em casa, eu costumava me relacionar por aplicados, como Instagram e WhatsApp, mesmo comportamento que estou tendo atualmente”, aconselha ao disparar que “se não for pra somar, melhor nem se aproximar”.

Tal prática também é adotada por Luan Damascena, 21 anos, que nunca namorou e costuma utilizar o Tinder para se relacionar. Ele relembra que antes da pandemia costumava paquerar em baladas, nos comentários do story do Instagram e em mensagens em aplicativos. “Durante o confinamento entendi cada vez mais a importância de lidar com sentimentos, o quanto é importante ser responsável com o sentimento que crio e com o sentimento que permito que criem sobre mim”, reflete. 

Luan Damascena. Foto: Cedida

Apesar de passar por essa experiência de autoconhecimento, Luan revela que se sentir carente. “Não sei se é válido criar um vínculo afetivo nesse período a ponto de desenvolver um relacionamento, pois talvez possa confundir o sentimento genuíno com carência, o que não considero saudável”, esclarece.

Para psicóloga Malu Nunes o período de isolamento potencializa sentimentos que já existiam antes da pandemia. “É normal sentirmos um vazio, ainda mais neste momento que vivemos. Mas é necessário para pessoa que deseja se relacionar ter claro a motivação para conhecer alguém. É importante entender o que lhe leva a sobrepor a experiência de está sozinho”, explica. 

A profissional ressalta que o uso de aplicativos para suprir o desejo de está com alguém não pode anular os cuidados que todos devem adotar durante a crise sanitária. “Com o confinamento, as pessoas podem usar este distanciamento físico para investir no diálogo e conhecer melhor um ao outro, pois o contato presencial não precisa acontecer nas primeiras interações”, aconselha. 

Malu ressalta que as conversas podem ajudar a identificar as potencialidades e fragilidades de um possível relacionamento. “Jogos online, comentar sobre um filme ou assistirem uma mesma série pode estimular o diálogo e servir como termômetro para estreitar a afinidade”, pontua. 

Todas essas ações devem ser acompanhadas das atividades do dia a dia, porque “não adianta focar apenas no relacionamento neste período para suprir um vazio que não se sabe qual é, pois, mesmo namorando, ele tende a permanecer”, finaliza a psicóloga.

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