O Corinthians acertou a renovação do contrato de Memphis Depay até julho de 2028 depois de o atacante aceitar uma redução de R$ 13,7 milhões nos valores negociados. O acordo foi fechado após reunião reservada entre o presidente Osmar Stabile, o jogador e seus representantes, em São Paulo, e recebeu o aval do Conselho de Orientação do clube, o Cori.
Pelos novos termos, Memphis abriu mão de uma ajuda de custo de R$ 250 mil mensais prevista para os dois anos adicionais de vínculo — economia de R$ 6 milhões. A verba vinculada a ações de marketing foi reduzida pela metade, de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões, cortando outros R$ 7,7 milhões do custo da operação.

A dívida antiga também entrou no acordo
A renegociação não tratou apenas do contrato futuro. Clube e jogador chegaram a um entendimento sobre os valores pendentes do primeiro vínculo, iniciado em setembro de 2024 e encerrado em julho deste ano. A dívida foi fixada em R$ 42 milhões, a ser paga em quatro parcelas semestrais a partir de janeiro de 2027.
O passivo inclui compromissos assumidos na contratação — luvas, direitos de imagem, premiações e bonificações. A definição de um valor fechado, sem incidência de multas e novos encargos previstos anteriormente, permitiu distribuir os pagamentos entre 2027 e 2028 e aliviar a pressão imediata sobre o caixa.
Mesmo após o corte, o novo contrato deverá custar cerca de R$ 54 milhões ao clube nos dois anos, considerando salários e direitos de imagem. Premiações e bonificações por desempenho podem elevar o montante. Parte da verba de marketing será coberta por empresas interessadas em associar suas marcas ao jogador: segundo o UOL, uma patrocinadora prometeu aportar R$ 5 milhões e outra sinalizou investimento de R$ 2,4 milhões.
A virada em seis dias
A mudança de rumo começou um dia depois de Stabile desistir do contrato acertado ao longo de meses de negociação. A decisão foi divulgada em nota oficial na terça-feira da semana passada. Memphis reagiu nas redes sociais, criticou a condução do caso e acusou o clube de romper o acordo, classificando a atitude da diretoria como “inaceitável”.
Na noite seguinte, Stabile encontrou-se pessoalmente com o atacante e seu estafe. Reabriu as conversas, mas condicionou a permanência à apresentação de números inferiores aos definidos antes. O holandês participou diretamente das tratativas e aceitou retirar ou reduzir cláusulas que sua equipe não havia conseguido alterar nas rodadas anteriores.
“Tivemos uma reunião pessoal. Ele conseguiu reduzir números que a equipe dele não conseguia chegar. Fizemos o melhor para o Corinthians, em todos os aspectos, principalmente financeiro”, afirmou Stabile na noite desta segunda-feira 17, no Parque São Jorge.
O encontro foi mantido sob reserva. Integrantes de grupos políticos ligados ao presidente só souberam da retomada na sexta-feira, e parte dos aliados se incomodou por não ter sido avisada — sobretudo porque Stabile havia anunciado publicamente a desistência.
O presidente negou rompimento com o atacante: “Tudo com profissionalismo. Não teve problema nenhum. O dia que nos encontramos, sorrimos, brincamos. A gente trata com a distância profissional, eu como dirigente e ele como jogador.”
O aval político
Com os novos números, Stabile encaminhou o contrato ao Cori para dividir a responsabilidade política pela operação. A discussão considerou regra do estatuto segundo a qual negócios com atletas em valores superiores ao equivalente a 40 mil salários mínimos dependem de análise prévia.
O presidente do Cori, Miguel Marques e Silva, afirmou que o órgão concluiu não ter competência formal para autorizar ou vetar o contrato, porque a operação não teria alcançado o limite estatutário. Ainda assim, o conselho decidiu emitir uma recomendação.
A renovação foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre o acordo entre o clube e o atacante.