O jornal francês L’Équipe dedicou a capa de sua edição desta terça-feira 7 à polêmica envolvendo a decisão da Fifa de permitir que o atacante Folarin Balogun atuasse pelos Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo, mesmo após ter sido expulso na partida anterior contra a Bósnia. Em tom crítico, o diário classificou o episódio como um “cartão vermelho” para a entidade máxima do futebol, para seu presidente, Gianni Infantino, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja atuação no caso foi amplamente questionada.
Na montagem publicada na primeira página, Trump aparece segurando um cartão vermelho ao lado de Infantino, tendo a taça da Copa do Mundo ao centro e Balogun ao fundo. O título da edição, “Carton Rouge” (“Cartão Vermelho”), resume a posição editorial do periódico. Para o L’Équipe, a decisão representa um dos episódios mais controversos do torneio e compromete a imagem da competição diante da percepção de interferência externa nas decisões disciplinares da Fifa.

“A intervenção de Donald Trump e a decisão indignante de reclassificar Folarin Balogun, apesar de sua expulsão contra a Bósnia, lançam um véu de vergonha sobre a Copa do Mundo, a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino”, escreveu o jornal na chamada de capa. A publicação responsabiliza diretamente a entidade pela condução do caso e sustenta que o episódio enfraquece a credibilidade das regras disciplinares aplicadas durante o Mundial.
A controvérsia teve início após Balogun receber cartão vermelho na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia, resultado que, pelas regras da competição, implicaria suspensão automática por uma partida. Horas antes do confronto contra a Bélgica, entretanto, a Fifa suspendeu os efeitos da punição com base no artigo 27 de seu Código Disciplinar, permitindo que o atacante entrasse em campo. A decisão foi tomada após Trump admitir que pediu pessoalmente a Infantino uma revisão da sanção, o que provocou críticas de federações, dirigentes e ex-jogadores sobre uma possível interferência política no torneio.
Apesar da autorização para atuar, Balogun não evitou a eliminação da seleção americana, derrotada por 4 a 1 pela Bélgica. Ainda assim, a repercussão do caso superou o resultado esportivo. Veículos de diferentes países classificaram a decisão como um precedente preocupante para a governança do futebol internacional, enquanto a Fifa reiterou que a revisão da punição foi conduzida de forma independente e dentro das possibilidades previstas em seu regulamento disciplinar.