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Seleção Brasileira

Ancelotti explica escolha por Bruno

Treinador afirma que ordem dos cobradores foi definida com base em estatísticas da última temporada, mas números mostram que Vini Jr teve maior volume e melhor aproveitamento do que o volante do Newcastle
Por O Correio de Hoje
07/07/2026 | 13:23

A decisão de Carlo Ancelotti de manter Bruno Guimarães como cobrador do pênalti desperdiçado pelo Brasil na derrota para a Noruega, pela Copa do Mundo de 2026, abriu debate sobre os critérios adotados pela comissão técnica da seleção. Após a partida, o treinador italiano afirmou que a definição da ordem dos cobradores foi baseada em estatísticas de desempenho dos últimos 12 meses, elaboradas antes da partida.

“Nós fizemos uma estatística de um ano e escolhemos Bruno Guimarães porque pensamos que era o melhor no campo”, afirmou Ancelotti. Segundo o treinador, a lista elaborada pela comissão técnica colocava Neymar, Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli como os cinco primeiros cobradores. Como os três primeiros não estavam em campo no momento da penalidade, a responsabilidade ficou com o meio-campista do Newcastle.

Ancelotti 14 Copia
Técnico Carlo Ancelotti diz que a escolha de Bruno Guimarães foi baseado nas estatísticas de desempenho - Foto: rafael Ribeiro / CBF

Os números, entretanto, mostram um cenário mais equilibrado do que a ordem apresentada pela comissão técnica. No período considerado por Ancelotti, Bruno Guimarães executou apenas três cobranças oficiais, com dois gols e um erro, o equivalente a um aproveitamento de 66,7%. Já Vinícius Júnior, que sequer foi citado entre os cinco primeiros cobradores e aparecia apenas como sexta opção, converteu cinco dos sete pênaltis que cobrou pelo Real Madrid, alcançando aproveitamento de 71,4%.

Os dois erros de Vini ocorreram diante do Valencia, pelo Campeonato Espanhol, e contra o Manchester City, pela Liga dos Campeões, em cobranças defendidas pelos goleiros adversários. No mesmo intervalo, o atacante marcou de pênalti contra Villarreal, Real Sociedad — em duas oportunidades —, Manchester City e Atlético de Madrid. Em outras partidas do clube espanhol, porém, a preferência ficou com Kylian Mbappé, responsável por 11 cobranças, das quais converteu dez.

Gabriel Martinelli, outro nome que aparecia à frente de Vinícius Júnior na lista da comissão técnica, teve amostragem ainda menor. O atacante do Arsenal cobrou apenas um pênalti na última temporada, convertido na disputa contra o Paris Saint-Germain, na final da Liga dos Campeões. Apesar do aproveitamento de 100%, o volume reduzido de cobranças limita comparações estatísticas com os demais atletas.

A escolha de Bruno Guimarães ganhou ainda mais repercussão pelo contexto da partida. O pênalti foi marcado aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Brasil e Noruega empatavam por 0 a 0. A defesa da cobrança impediu que a seleção abrisse vantagem em um confronto que terminaria com a eliminação brasileira do Mundial, ampliando os questionamentos sobre os critérios adotados pela comissão técnica para uma das decisões mais relevantes do jogo.