O Fluminense vive seu momento de maior instabilidade na temporada após a derrota por 2 a 1 para o Independiente Rivadavia, nesta quarta-feira, no Maracanã. O resultado, construído a partir de falhas defensivas decisivas, acendeu o sinal de alerta no clube carioca, que soma apenas um ponto em dois jogos na fase de grupos da Conmebol Libertadores e vê sua situação se tornar mais delicada na competição.
Mais do que o placar, a forma como a equipe sofreu a virada intensificou a pressão. Os dois gols do adversário argentino tiveram origem em erros do sistema defensivo. No primeiro, zagueiros se atrapalharam na tentativa de afastar a bola, permitindo o empate em lance de bola parada — fundamento que já resultou em 12 dos 22 gols sofridos pelo time na temporada. No segundo, uma sequência de falhas envolvendo Samuel Xavier, Fábio e Canobbio culminou na virada, em um lance considerado evitável.

O roteiro repetiu problemas recentes. Assim como no confronto contra o Vasco pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense iniciou a partida com domínio e boas ações ofensivas, mas perdeu o controle após sofrer um gol. A partir daí, a equipe apresentou dificuldades tanto no aspecto técnico quanto no mental, sem conseguir reagir à pressão do resultado e às cobranças vindas das arquibancadas.
A formação escolhida pelo técnico Luis Zubeldía teve cinco mudanças em relação ao último clássico, com o objetivo de dar mais intensidade ao time. A estratégia teve efeito inicial, sobretudo com a participação de Guilherme Arana, que abriu o placar ao aproveitar cruzamento de Savarino e mostrou maior presença ofensiva pela lateral. No entanto, o desentrosamento entre os jogadores comprometeu a consistência da equipe ao longo do jogo.
Do outro lado, o Independiente Rivadavia adotou postura agressiva, com marcação alta e uso constante de bolas aéreas, explorando justamente a principal fragilidade do adversário. O gol de empate saiu em cobrança de escanteio, ampliando um padrão já recorrente na temporada tricolor: a dificuldade na defesa de jogadas aéreas.
Na etapa final, o momento decisivo ocorreu em meio a nova falha coletiva. Após a virada, o Fluminense perdeu organização e passou a apostar em ações individuais, sem sucesso. Alterações na equipe, como a saída de Paulo Henrique Ganso em um momento que exigia controle de jogo, também impactaram negativamente o desempenho.
Com o resultado, o time se vê pressionado a buscar recuperação imediata. A sequência na Libertadores inclui desafios relevantes, como a partida na altitude contra o Bolívar, além da necessidade de vencer os compromissos restantes no Maracanã e somar pontos fora de casa para seguir com chances de classificação.
Ao apito final, as vaias da torcida refletiram a insatisfação com o desempenho e com o momento da equipe, que passa a conviver com cobranças mais intensas em meio à necessidade de reação rápida na temporada.