Símbolos de uma geração que mudou o patamar do basquete feminino no Brasil, Hortência Marcari e Paula Gonçalves têm suas trajetórias revisitadas na série documental dirigida por Eduardo Hunter Moura, disponível no Globoplay, para assinantes Premium. Em quatro episódios, “Hortência e Paula” parte da histórica medalha olímpica para reconstruir uma jornada que combina rivalidade, parceria e conquistas, tendo como pano de fundo os desafios enfrentados pelo esporte feminino em busca de visibilidade.
Mais do que recontar vitórias, Hortência e Paula propõe um mergulho na dimensão humana de duas atletas que viveram uma relação intensa, marcada por competição, admiração e construção conjunta. Ao dar voz às próprias protagonistas, a série evidencia como suas trajetórias se entrelaçam de forma indissociável, uma narrativa que ajuda a explicar por que, ainda hoje, seus nomes seguem conectados na memória coletiva do esporte brasileiro. “Eu acho muito difícil uma pessoa que pensa no basquetebol feminino, que fala da Paula, não lembrar da Hortência. Fala da Hortência, não lembrar da Paula”, conta Hortência na série.

Produzida pela Hunter Filmes em coprodução com o sportv, a série também se insere em um debate atual sobre representatividade, reconhecimento histórico e os caminhos abertos por mulheres que desafiaram padrões em suas áreas. Ao permanecer disponível no streaming, a produção reforça a atualidade dessa história e seu potencial de diálogo com novas gerações. “Minha geração e a da Hortência foi uma geração muito vencedora, mas que batalhou demais. Mulheres que quebraram tudo que tinham pela frente e foram atrás do que queriam.”, conta Paula.
A série se estrutura a partir de quatro eixos narrativos. Em “Rivais”, Hortência e Paula surgem como fenômenos e personificam uma disputa que ultrapassa clubes e chega à Seleção Brasileira, ganhando projeção internacional a partir do Mundial de 1983. Já em “Parceiras”, o documentário acompanha a transformação dessa rivalidade em uma parceria fundamental para o crescimento do time nacional, em meio à explosão de popularidade do basquete feminino no Brasil, culminando na final histórica do Pan de Havana, em 1991.
O episódio “Campeãs” marca um ponto de virada, ao abordar as mudanças enfrentadas pela equipe após os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e a construção de um novo ciclo que levaria ao título mundial de 1994 — um dos momentos mais emblemáticos da história do basquete brasileiro. Por fim, em “Pioneiras”, a série amplia o olhar para o legado das atletas, revisitando o caminho até Atlanta 1996 e refletindo sobre o impacto duradouro de suas conquistas, dentro e fora das quadras.
Segundo o diretor Eduardo Hunter Moura, a proposta foi ir além dos resultados esportivos. “Contar a história delas é também conhecer a montanha russa de emoções e pressões que foram esses 20 anos jogando contra e juntas. A série fala da coragem, do pioneirismo delas, e de como essas conquistas continuam ecoando hoje.”