O fim das bets no Brasil deve obrigar clubes de futebol a renegociar ou encerrar contratos milionários de patrocínio. Das 20 equipes da Série A do Campeonato Brasileiro, 14 exibem marcas de casas de apostas como patrocinadoras principais, segundo levantamento da consultoria Convocados.
A mudança foi determinada pela Medida Provisória nº 1.394, publicada pelo governo federal na sexta-feira 25. A norma proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online.

As empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios veiculados em meios físicos. Sites e aplicativos deverão sair do ar a partir do dia 6. Com isso, marcas estampadas em camisas, placas de estádio e outros espaços comerciais terão de ser removidas ou substituídas.
Veja os clubes e os valores dos contratos
Os valores abaixo correspondem aos contratos anuais divulgados ou estimados no levantamento. O impacto efetivo dependerá das cláusulas de cada acordo e de eventuais negociações entre clubes e patrocinadores.
- Flamengo: R$ 268,5 milhões — Betano;
- Corinthians: R$ 150 milhões — Esportes da Sorte;
- São Paulo: R$ 113 milhões — Superbet;
- Palmeiras: R$ 100 milhões — Sportingbet;
- Atlético-MG: R$ 62 milhões — H2Bet;
- Botafogo: R$ 55 milhões — VBet;
- Fluminense: R$ 52 milhões — Superbet;
- Vasco: R$ 50 milhões — Sportingbet;
- Grêmio: R$ 46 milhões — Pitaco;
- Cruzeiro: R$ 40 milhões — Betnacional;
- Santos: R$ 35 milhões — Novibet;
- Vitória: R$ 20 milhões — 7KBet;
- Remo: R$ 12 milhões — VaideBet;
- Chapecoense: valor não divulgado — ZeroUm.
Em 2025, as casas de apostas investiram aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes que disputavam a elite nacional. Para a maioria das equipes, o dinheiro das bets representa entre 5% e 8% do orçamento. A dependência é maior em contratos mais robustos.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou que o clube poderá perder mais de R$ 430 milhões com o encerramento das apostas, considerando o patrocínio e outras receitas associadas ao setor.
Clubes terão de buscar novos patrocinadores
Clubes e operadoras começaram a analisar os contratos depois da publicação da medida. Betano, Sportingbet e Superbet estão entre as empresas que já alertaram equipes sobre possíveis mudanças ou rescisões.
Flamengo e Fluminense divulgaram manifestações contrárias à proibição. Os clubes afirmam que a mudança pode atingir o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino e outros esportes financiados por receitas comerciais.
A medida provisória já produz efeitos, mas ainda será analisada pelo Congresso Nacional. Deputados e senadores podem aprovar, alterar ou rejeitar o texto. Enquanto isso, permanecem válidos os prazos estabelecidos pelo governo para retirada das marcas e encerramento das plataformas.
Os apostadores têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar voluntariamente o saldo disponível. Quem não fizer o saque deverá receber o dinheiro por meio das instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro. Veja o cronograma completo para recuperar valores mantidos nas bets.