O fim das bets no Brasil provocou reações entre artistas, ex-participantes de reality shows e influenciadores digitais entre quinta-feira 24 e este sábado 26. Enquanto nomes como Anitta, Luisa Mell e Dora Figueiredo celebraram a medida, criadores ligados à publicidade de apostas criticaram a decisão e alertaram para o avanço do mercado ilegal.
As manifestações partiram de pessoas com relações diferentes com o setor. Alguns influenciadores já fizeram propaganda para casas de apostas ou criaram marcas ligadas ao segmento. Outros apenas se posicionaram nas redes sociais, sem vínculo comercial conhecido com as plataformas.

A discussão ganhou força na quinta-feira 24, diante da expectativa pela edição da medida provisória. O anúncio foi feito pelo Governo Federal na sexta-feira 25 e estabeleceu a proibição da oferta, da intermediação e da publicidade de apostas de quota fixa no País.
Anitta, cantora com projeção internacional, reagiu com emojis de aplausos em uma publicação sobre a medida. Luisa Mell, apresentadora e ativista da causa animal, e Dora Figueiredo, influenciadora conhecida por conteúdos sobre comportamento e relacionamentos, também compartilharam postagens favoráveis à decisão. Não há indicação, nas manifestações analisadas, de que as três mantivessem contratos de publicidade com bets.
Felipe Neto, um dos maiores youtubers do Brasil, apoiou a proibição e voltou a falar sobre o período em que fez publicidade para uma casa de apostas. Ele classificou a divulgação como “a pior coisa” que fez na vida e afirmou que agiu por ganância.
O influenciador também defendeu medidas para impedir que criadores se mudem para outros países e continuem promovendo plataformas ilegais ao público brasileiro.
Influenciadores ligados ao setor criticam proibição
Jon Vlogs, youtuber conhecido por vídeos sobre viagens, festas e estilo de vida, é um dos influenciadores com atuação mais próxima do mercado de apostas. Ele já divulgou plataformas e teve o nome associado à criação de uma marca do setor.
Após o anúncio do governo, Jon afirmou que continuará apostando mesmo com o bloqueio das plataformas. “Eu vou viajar para Vegas e continuar apostando do mesmo jeito”, declarou.
Davi Brito, vencedor do BBB 24 e atualmente influenciador digital, também se manifestou contra a medida. Ele vinha atuando como garoto-propaganda de uma casa de apostas e argumentou que a proibição não encerrará os jogos, mas poderá levar usuários a sites clandestinos.
O posicionamento provocou críticas nas redes sociais. Usuários afirmaram que a defesa das bets estaria relacionada à perda de contratos publicitários e de uma fonte de renda do ex-BBB.
Rico Melquiades, vencedor de A Fazenda 13 e influenciador com milhões de seguidores, também já fez publicidade para casas de apostas. Ele questionou se todos os problemas do País poderiam ser atribuídos às plataformas e cobrou manifestações de outros criadores patrocinados pelo setor.
No mesmo dia, Rico anunciou que passará a morar em Portugal a partir de outubro. Ele, porém, não afirmou que a mudança tenha sido motivada pela proibição das bets.
Dayanne Bezerra, advogada e influenciadora conhecida também por ser irmã de Deolane Bezerra, criticou a decisão e argumentou que retirar as empresas autorizadas pode beneficiar plataformas ilegais.
BRKK, streamer ligado ao universo de transmissões ao vivo e jogos, reconheceu que as apostas podem causar dependência e relatou já ter perdido dinheiro. Mesmo assim, disse ser contrário à proibição.
Luqueta, criador de conteúdo que também circula no meio de transmissões e jogos on-line, reclamou da decisão em vídeo.
As reações contrárias foram acompanhadas por comentários que acusaram parte dos influenciadores de defender uma fonte de renda baseada na publicidade das plataformas. Os criadores, por outro lado, sustentaram que o bloqueio das empresas autorizadas poderá ampliar o uso de sites clandestinos.
O que muda com o fim das bets
A medida proíbe novos depósitos nas plataformas e impede a contratação de novas campanhas publicitárias. Anúncios e patrocínios já contratados poderão permanecer até 5 de outubro. A partir da zero hora do dia 6, sites e aplicativos deverão ser bloqueados no Brasil.
Os apostadores podem retirar o saldo disponível até as 23h59 de 5 de outubro. Quem não fizer o saque dentro do prazo terá o dinheiro devolvido por meio das instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro, com apoio da Caixa Econômica Federal quando necessário.
O governo também enviou ao Congresso um projeto que prevê pena de dois a quatro anos de prisão para determinadas formas de divulgação de apostas. A proposta ainda precisa ser analisada pelos parlamentares. Conteúdos jornalísticos, educativos, acadêmicos ou críticos ficam fora da criminalização prevista no texto.
A medida provisória tem efeito imediato, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para continuar válida.