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Futebol
Conheça Ferreira, o goleiro artilheiro do Força e Luz
Ele marcou seu terceiro gol na carreira em partida contra o América. Apesar da goleada sofrida, o atleta foi aplaudido de pé pelos torcedores
Júnior Lins
17/02/2020 | 02:30

Rogério Ceni, Chilavert, Jorge Campos, René Higuita e Ferreira. Este são alguns nomes dos goleiros que ousaram sair da sua meta para se aventurar, durante uma partida, em cobranças de faltas e pênaltis. O último citado não é conhecido nacionalmente, nem internacionalmente, como os outros, mas fez história ao ser o primeiro goleiro a fazer um gol na Arena das Dunas em partidas oficiais.

Severino Ferreira de Barros, de 35 anos, é goleiro do Força e Luz e marcou um gol no jogo do time elétrico contra o América, pelo Campeonato Potiguar, na Arena das Dunas. Esta foi a terceira vez que o goleiro balançou as redes, mas a primeira em cobrança de falta.

A partida, na última quarta-feira (12), terminou 4 a 1 para o adversário, mas os gols sofridos pelo jogador foram ofuscados pelo que ele marcou. Prova disto é que a torcida do América o aplaudiu de pé, após ver a “pintura” feita pelo goleiro.

“Até brinquei no treino: ‘Só eu e Ronaldinho Gaúcho fomos aplaudidos de pé pela torcida adversária’. Foi uma sensação incrível, algo que certamente ficará marcado. Na hora não percebi que me aplaudiam, mas depois, no caminho para o gol, todo mundo de pé, batendo palmas, me arrepiou”, conta Ferreira, em entrevista ao Agora RN.

Paraibano de Solânea, aos 17 anos Ferreira seguiu rumo a Salvador (BA), para jogar na base do Vitória da Bahia. Dois anos depois, “pulou o muro” e foi para o rival, o Bahia, onde também ficou dois anos, até decidir voltar para sua terra natal e jogar pelo Desportiva Guarabira (PB).

Na Paraíba, foi onde o goleiro atuou por mais tempo. À exceção de uma breve passagem pelo Real Independente, clube do interior do Rio Grande do Norte, o atleta passou sete anos da sua carreira atuando por clubes paraibanos. Neste período, o jogador passou, além do time de Guarabira (PB), por Internacional (PB), CSP, Flamengo (PB), Santa Cruz (PB) e Lucena (PB), até que, em 2014, foi contratado pela Serra Talhada (PE), para disputar o Campeonato Pernambucano.

No mesmo ano, foi contratado pelo Coururipe (AL), com o qual ganhou o Campeonato Alagoano. Mesmo após o título, Ferreira continuou como um “andarilho” no futebol e se transferiu para o ASA (AL). De Alagoas, o goleiro seguiu rumo a Sergipe, onde jogou no Club Sportivo Sergipe.

Depois de atuar em seis dos nove estados do Nordeste, Ferreira partiu para um novo desafio no Noroeste (SP), clube pelo qual atuou por quase dois anos. De lá, retornou para o time sergipano, passou novamente pelo Coururipe (AL) e retornou à Paraíba, no ano passado, para jogar de novo pelo Internacional (PB).

Com uma imensa bagagem, sempre como titular nos times por onde passou, o goleiro chamou a atenção do Força e Luz, clube pelo qual joga atualmente.

Lado goleador

Antes de atuar como goleiro, Ferreira sonhava em ser atacante e marcar gols. Como o atleta se destacou sob a trave, não teve outra escolha. Segundo o atleta, ele sempre quis ter um diferencial e viu isso inspirado nas cobranças de falta de Rogério Ceni, o que reviveu o seu lado goleador.

“Quando resolvi jogar futebol, queria ser atacante, mas Deus me deu a oportunidade de ser goleiro, e eu a agarrei. Para fazer algo, você tem que ser diferente. Rogério Ceni não é só lembrado por ser um bom goleiro, e eu sempre quis fazer diferente”, falou.

O último gol do goleiro foi o terceiro da sua carreira em partidas oficiais. Antes, ele já havia feito dois, quando atuava pelo Desportiva Guaarabira (PB), no Campeonato Paraibano. Porém, os outros foram marcados de pênalti.

De acordo com Ferreira, as oportunidades para bater falta surgiram no Força e Luz. O jogador falou que o treinador de goleiros observou um gol que o goleiro fez em um amistoso e informou ao técnico João Paulo. Na primeira vez, João Paulo negou, mas ao ver a dedicação do atleta nos treinos, resolveu permitir que Ferreira batesse uma falta, assim que surgisse a oportunidade.

“O treinador de goleiros disse que eu batia bem e avisou para o professor João Paulo. Ele não deixou no começo, mas depois me avisou que eu bateria uma falta na próxima que tivesse próximo à área. E a chance veio no jogo contra o América, quando eu fiz o gol”, relatou.

Pedido do filho

Segundo o goleiro, seu filho de oito anos o pediu para fazer um gol, mas Ferreira teve que explicar que essa não era sua função. Após balançar as redes contra o América, o jogador disse que sua primeira reação, depois do jogo, foi mandar o vídeo para o garoto.

“Meu filho me pediu um gol e eu tive que dizer que meu objetivo era defender e não marcar. Mas depois da cobrança, quando o jogo acabou, mandei o vídeo para ele dizendo que fiz o gol que ele queria”, falou.

Polêmica com Wallyson

No começo do Campeonato Potiguar, quando Força e Luz e ABC se enfrentaram, o atacante do alvinegro Wallyson afirmou que Ferreira havia o chamado de macaco. O ABC resolveu deixar o caso para que Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) investigasse. Ferreira afirmou que não xingou o atacante e que quer ser lembrado pelas coisas boas que faz.

“Quem me conhece sabe o meu caráter, que eu não diria isto com Wallyson. Algumas pessoas passaram a me olhar estranho, mas quem me conhece sabe. Quero deixar um legado pelas coisas boas que eu fiz. Não sei se outro goleiro vai marcar de falta na Arena das Dunas. Quero ser lembrado por isto”, concluiu.

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