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Exportação

UE barra carne brasileira

Bloco europeu exclui Brasil de lista de países autorizados a exportar proteína animal por regras sobre antibióticos; governo e setor privado reagem e tentam reverter decisão antes de setembro
Por O Correio de Hoje
13/05/2026 | 11:21

A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco europeu, em medida que atinge um dos principais mercados externos da proteína brasileira e amplia a tensão comercial poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e UE.

A decisão foi publicada pela Comissão Europeia após reunião do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração e passa a valer em 3 de setembro de 2026. O bloco alegou que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle e a não utilização de determinados antibióticos na criação animal, exigência prevista nas normas sanitárias europeias.

Rebanho bovina
A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco europeu - Foto: Portal Mapa

A medida pegou o governo brasileiro e entidades do agronegócio de surpresa. Representantes dos setores de carne bovina, suína e de frango criticaram a exclusão e afirmaram que o país atende aos requisitos sanitários internacionais.

Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que o Brasil “tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”.

Uma reunião entre representantes da Delegação do Brasil junto à União Europeia e autoridades sanitárias do bloco foi marcada para discutir os motivos da exclusão e tentar evitar restrições às exportações brasileiras.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 35,4 bilhões em animais vivos, carnes e outros produtos de origem animal. Desse total, US$ 1,84 bilhão tiveram como destino os países europeus, o que coloca a UE como o terceiro maior mercado para a proteína animal brasileira, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Nos quatro primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras do segmento somaram US$ 12,8 bilhões, sendo US$ 760,5 milhões destinados ao bloco europeu.

A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, afirmou que a decisão causa preocupação por ter ocorrido poucos dias após o início da vigência provisória do acordo Mercosul-UE. “É importante destacar que o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de produtos de origem animal por causa da excelência da qualidade e da sanidade da sua produção. A CNA, que esteve presente ao longo de todo o processo de negociação do acordo (com a UE), buscará o diálogo com as autoridades europeias para reverter essa medida”, disse.

Segundo fontes ouvidas pela imprensa europeia, a decisão também ocorre em meio à pressão de produtores rurais europeus, principalmente franceses, que resistem ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Agricultores do continente alegam risco de aumento das importações agrícolas sul-americanas com tarifas reduzidas e defendem regras sanitárias mais rígidas para produtos estrangeiros.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os produtores europeus seguem “alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo” e que é legítimo exigir os mesmos critérios de importações vindas de parceiros comerciais.

O governo brasileiro rebateu qualquer questionamento sobre a qualidade sanitária nacional. “Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu”, afirmou a nota oficial.

Entidades do setor privado também reagiram. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que o Brasil continua habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu e que eventual bloqueio dependerá da apresentação das adequações exigidas pelas autoridades europeias até setembro.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que as empresas trabalham em conjunto com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos para atender às exigências europeias. “O Brasil cumpre integralmente todos os requisitos, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias”, informou a entidade.