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Economia

Tesouro Direto avança fora do eixo Sul-Sudeste

Expansão da educação financeira, digitalização bancária e juros elevados impulsionam aumento de investidores em títulos públicos
Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 13:43

O avanço do Tesouro Direto em regiões historicamente menos inseridas no mercado financeiro tem acelerado a interiorização dos investimentos em títulos públicos no país. Dados do Balanço do Tesouro Direto (BTD) de março de 2026 mostram que o número de investidores no Norte e Nordeste cresceu 125% nos últimos quatro anos, acima do ritmo nacional, que ficou abaixo de 100%.

O movimento é impulsionado pela expansão da educação financeira, pela digitalização dos serviços bancários e pelo aumento da atratividade da renda fixa em um cenário de juros elevados. Estados como Rondônia, Paraíba e Piauí passaram a liderar o crescimento proporcional de investidores no programa, superando centros tradicionais como Distrito Federal e Rio de Janeiro.

O País não vai suportar atos inconsequentes

Em Rio Branco, a professora universitária Ana Maria Barreto, de 42 anos, afirma que trocou a poupança pelo Tesouro Selic após descobrir que poderia investir com valores reduzidos.

“Sempre achei que Bolsa e Tesouro fossem coisas para quem tem muito dinheiro em São Paulo. Quando vi que podia investir com R$ 10, percebi que eu daqui do Norte também posso aproveitar”, diz.

Segundo ela, o primeiro contato ocorreu pelo aplicativo do banco. Depois do Tesouro Selic, passou a aplicar também em títulos voltados para objetivos específicos, como o Educa+ e o RendA+. “O Tesouro Selic abriu as portas aqui em casa. Logo depois a gente começou a investir no Educa+ e no RendA+. Por enquanto é o máximo que a gente consegue arriscar”, afirma.

No Acre, o número de investidores cresceu 17,1% em 12 meses, a segunda maior alta da região Norte. Rondônia liderou o avanço nacional, com expansão de 18,9%. No ano anterior, os índices haviam sido de 8,1% e 9,2%, respectivamente. A média nacional atual está em 15,2%.

Na Bahia, o comerciante Francisco Arrais, dono de uma loja de ferragens em Juazeiro, afirma ter migrado parte do patrimônio para o Tesouro IPCA+ em busca de proteção contra a inflação.

“A primeira vez que ouvi falar do Tesouro Direto foi no Jornal Nacional. À época, eu já procurava uma previsibilidade que o comércio, por si só, não entrega”, afirma. “Ser garantido pelo governo e ter a possibilidade de retirada para daqui a 20 anos tornou ele mais interessante para mim.”

A base de investidores no Nordeste mais que dobrou nos últimos quatro anos, saltando de 214 mil para mais de 482 mil CPFs ativos no Tesouro Direto. A Paraíba liderou o crescimento regional no último ano, com alta de 17,2%.

Para o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, os dados mostram uma redistribuição gradual do perfil dos investidores brasileiros.

“Esse movimento mostra que a distribuição dos investidores caminha para ficar mais parecida com a distribuição da população do país e, felizmente, educação financeira e investimento estão deixando de ser um tema restrito ao Sudeste”, afirma.

Embora o Sudeste ainda concentre o maior volume financeiro aplicado, a região registrou o menor crescimento proporcional de investidores no período de 12 meses, com alta de 11,7%, abaixo do Norte (15,7%) e do Nordeste (15,4%).

O professor de finanças da Fundação Getulio Vargas, Pierre Oberson, avalia que o fenômeno reflete o efeito das medidas de democratização do acesso aos títulos públicos.

“Esse crescimento mostra que algumas iniciativas por parte do Tesouro estão tendo efeito nessa democratização do investimento, permitindo aplicações com valores menores e sem tantas fricções. Hoje, em dois ou três cliques no celular, a pessoa já consegue fazer algum aporte”, afirma. Segundo o especialista, o ambiente de juros elevados também favorece a migração de pequenos poupadores da caderneta de poupança para produtos de renda fixa mais rentáveis.

O perfil dos novos investidores também tem mudado. De acordo com a analista da Investsmart, Sara Paixão, cresce a participação feminina na plataforma. Outro indicador acompanhado pelo Tesouro Nacional aponta a ampliação da participação de pequenos investidores no programa. O tíquete médio das aplicações caiu de R$ 1.230 para R$ 901 no último ano, sinalizando aumento da presença de poupadores iniciantes na base de investidores.

Tesouro direto
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