BUSCAR
BUSCAR
Petróleo e gás

Produção de petróleo recua no RN e setor busca ampliar investimentos

Queda de 16,1% na extração terrestre até agosto foi debatida durante fórum realizado em Natal; empresas defendem novos poços e maior eficiência operacional
Agora RN
31/10/2026 | 00:11

A queda na produção de petróleo e gás natural do Rio Grande do Norte e a necessidade de ampliar investimentos em campos maduros estiveram entre os temas discutidos durante o SMS Oil & Gas 2026, realizado na quinta-feira 29 e nesta sexta-feira 30 na sede do Sebrae-RN, em Natal. Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), o encontro reuniu representantes de empresas, especialistas e órgãos reguladores para discutir segurança operacional, licenciamento ambiental e perspectivas para o setor.

Maior produtor de petróleo em terra do Brasil, o Rio Grande do Norte registrou produção média diária de 26.572,47 barris entre janeiro e agosto de 2026, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume representa queda de 16,1% em relação aos 31.676,41 barris diários registrados no mesmo período de 2025.

Bomba de extração de petróleo em campo terrestre do Rio Grande do Norte
Na extração de petróleo em terra, a queda registrada foi de 16,1% até agosto — Foto: José Aldenir

Leia mais: Fim das bets impulsiona vendas de alimentos em supermercados

A retração também aparece nos dados trimestrais. Entre abril e junho, a produção estadual de petróleo passou de 2,93 milhões de barris, em 2025, para 2,40 milhões neste ano, redução de 17,82%. No gás natural, o volume caiu de 112,30 milhões para 97,66 milhões de metros cúbicos, recuo de 13,04%.

Segundo o secretário-executivo da ABPIP, Lucas Mota, a redução está relacionada ao envelhecimento dos campos produtores. “Essas empresas adquiriram ativos maduros que estão há décadas produzindo, mas também são ativos marginais, ou seja, estão na margem da economicidade. De forma natural, existe o declínio desses ativos”, explicou.

Para enfrentar esse cenário, as operadoras buscam ampliar a eficiência dos processos e perfurar novos poços. Mota afirmou que a associação mantém diálogo com órgãos ambientais, incluindo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), para tratar dos prazos de licenciamento necessários à execução dos projetos.

Leia mais: Desemprego cai a 5,2% no Brasil e atinge menor nível da série histórica

O superintendente adjunto de Segurança Operacional da ANP, Rafael Duarte, também apontou a necessidade de investimentos. “A tendência, à medida que você explora campos maduros, é diminuir o teor de óleo e tirar cada vez mais água”, afirmou.

Segundo Duarte, a exploração de novas reservas e o aperfeiçoamento das operações podem prolongar a atividade econômica. “Por mais que sejam campos maduros, não só no RN, mas no Nordeste todo, existe potencial para gerar lucro e riqueza para a sociedade”, disse.

A relevância econômica do segmento também foi abordada durante o encontro. Embora a produção terrestre represente aproximadamente 3% do petróleo extraído no Brasil, as operadoras onshore respondem por quase 35% das horas trabalhadas na indústria petrolífera nacional, conforme dados apresentados por Duarte.

Leia mais: Governo do RN inicia pagamento de salários sob críticas por atraso

Segurança operacional orienta debates do fórum

A terceira edição do SMS Oil & Gas reuniu empresas operadoras, prestadores de serviços, consultores e representantes da ANP para discutir práticas relacionadas à saúde, ao meio ambiente e à segurança. A programação também abordou saúde mental dos trabalhadores, inteligência artificial e procedimentos de licenciamento ambiental.

Para o presidente da ABPIP, Márcio Felix, as atividades do setor precisam considerar os impactos sobre trabalhadores e comunidades. “Tem muitos benefícios, mas a sociedade está olhando essas questões ambientais, de segurança, de saúde das pessoas envolvidas. Essa é uma prioridade para nós”, afirmou.

Lucas Mota defendeu a adoção de procedimentos preventivos pelas empresas. “As nossas operações não somente cumprem as normas e as regras, esses três temas são regras de ouro dentro das nossas instituições”, declarou.

Leia mais: Base Aérea terá exposição de aeronaves neste domingo

O diretor de operações onshore da Brava Energia, Jorge Boeri, ressaltou a cooperação entre concorrentes. “Em segurança, é uma parceria total. O evento é um ambiente onde compartilhamos boas práticas para conseguir melhorar a indústria toda”, disse.

A Brava atua no Rio Grande do Norte desde 2020, inicialmente como 3R Petroleum, e adotou a atual denominação em 2024. A companhia administra a Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, e responde por aproximadamente 65% da produção estadual de petróleo, segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN).