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Aviação

Embraer avalia fábricas fora do país

Fabricante discute linha de montagem na Índia e estuda nova unidade nos Estados Unidos diante do crescimento da demanda
Por O Correio de Hoje
11/08/2026 | 16:30

A Embraer avalia ampliar sua capacidade industrial fora do Brasil para acompanhar o crescimento da demanda por aeronaves comerciais, executivas e militares. A fabricante discute com a Índia uma linha de montagem inicialmente voltada ao KC-390 Millennium, enquanto estuda uma nova unidade nos Estados Unidos, condicionada ao volume de pedidos no país.

A eventual operação americana ampliaria a presença da companhia em seu principal mercado. Os Estados Unidos respondem por cerca de 45% das vendas de jatos comerciais e 70% das entregas de aviões executivos da Embraer. A empresa já monta os modelos Phenom e Praetor em Melbourne, na Flórida, mas mantém a produção comercial e os principais centros de engenharia no Brasil.

Aeronave militar KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira em uma pista
Fabricante discute linhas de montagem na Índia e nos Estados Unidos após carteira pedidos crescerem - Foto: josé aldenir

A companhia também busca avançar nas negociações para fornecer o KC-390 à Força Aérea dos Estados Unidos. Na Índia, a discussão sobre produção local pode alcançar posteriormente os aviões comerciais. Segundo o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, a empresa pretende evitar que a capacidade industrial limite o crescimento nos próximos anos.

Até 2030, a Embraer planeja produzir anualmente no Brasil entre 110 e 120 aviões comerciais, mais de 200 jatos executivos e acima de dez unidades do KC-390. A companhia encerrou o segundo trimestre com carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, cerca de R$ 175 bilhões, no sétimo recorde trimestral consecutivo.

Entre as novas encomendas estão 15 aeronaves E195-E2 compradas pela americana Azorra, com direito a outras 15 unidades, e dez C-390 adquiridos pelos Emirados Árabes Unidos, com opção para mais dez. A Colômbia contratou dois KC-390 em agosto e tornou-se o 13º país a escolher o cargueiro militar.

O ambiente geopolítico tem acelerado compras militares, enquanto a demanda por viagens sustenta a renovação das frotas comerciais. As filas de espera de até dez anos da Boeing e da Airbus também abrem espaço para os jatos de menor porte da Embraer. A companhia foi isenta da tarifa de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump.

No segundo trimestre, a Embraer obteve receita recorde de R$ 11,3 bilhões, alta anual de 10,3%, e lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão, avanço de 25%. Foram entregues 65 aeronaves, o maior volume para o período em 16 anos, sendo 45 executivas e 20 comerciais. No semestre, as entregas chegaram a 109 unidades, crescimento próximo de 20%.

A fabricante manteve a previsão de entregar entre 240 e 255 aeronaves em 2026 e gerar receita de US$ 8,2 bilhões a US$ 8,5 bilhões. A margem operacional ajustada foi elevada para uma faixa de 10% a 10,6%, e a estimativa de fluxo de caixa livre passou de US$ 200 milhões para pelo menos US$ 400 milhões. A Embraer também prevê certificar e iniciar as operações comerciais do eVTOL da Eve até o fim de 2028.