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Eletrificados

Eletrificados avançam e ganham mercado

Participação recorde de 16% na primeira quinzena de 2026 reforça crescimento dos elétricos mesmo com retração do setor
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 11:47

O mercado brasileiro de veículos leves iniciou 2026 em ritmo mais fraco, mas com mudanças relevantes na composição das vendas. Na primeira quinzena de janeiro, foram emplacadas 67,5 mil unidades, número impactado por fatores sazonais como férias e menor volume de vendas diretas. Ainda assim, os veículos eletrificados ampliaram presença e atingiram participação recorde de 16%, segundo dados da Bright Consulting.

Ao todo, foram 10.892 veículos eletrificados vendidos no período, volume inferior ao da quinzena anterior, mas significativamente acima do registrado em janeiros passados. O dado reforça uma tendência estrutural: mesmo em um ambiente de retração do mercado total, a eletrificação mantém trajetória de crescimento, sustentada principalmente pelo varejo.

BYD
Participação recorde de 16% na primeira quinzena de 2026 reforça crescimento dos elétricos - Foto: Divulgação

Entre os eletrificados, os modelos 100% elétricos a bateria (BEVs) ganharam destaque, respondendo por 33,6% desse segmento, com 3.659 unidades emplacadas. O desempenho indica maior consolidação dos elétricos puros no país, reduzindo a dependência de campanhas promocionais para impulsionar vendas, especialmente em períodos tradicionalmente mais fracos.

O principal destaque individual foi o BYD Dolphin Mini, que liderou as vendas entre os BEVs com 1.157 unidades. O resultado evidencia o papel dos modelos de entrada como vetor de popularização da tecnologia, ampliando o acesso do consumidor brasileiro aos veículos elétricos.

O avanço dos eletrificados contrasta com a queda na média diária de emplacamentos em relação ao mesmo período de 2025. Enquanto o mercado total desacelera, os veículos com algum nível de eletrificação registraram crescimento superior a 55% na comparação anual, acelerando o ganho de participação dentro do setor automotivo.

Outro fator relevante é o aumento da presença de montadoras chinesas, que alcançaram 13,6% de participação na quinzena. Empresas como a BYD vêm ampliando espaço com uma estratégia baseada em tecnologia embarcada e preços mais competitivos, especialmente em um cenário de maior seletividade por parte do consumidor.

Embora híbridos convencionais e plug-in ainda tenham peso relevante, o avanço dos elétricos puros sinaliza uma mudança estrutural no mercado. O início de 2026 não aponta para uma retomada ampla das vendas, mas indica que a eletrificação segue dinâmica própria, consolidando-se como componente permanente do mix automotivo nacional.