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Economia

Expansão solar pressiona redes e trava conexões em três estados

Crescimento da geração distribuída expõe limites da infraestrutura elétrica e leva a restrições em Estados
Redação
23/04/2026 | 05:30

A rápida expansão da geração solar distribuída no Brasil tem colocado pressão crescente sobre as redes de distribuição de energia, levando à rejeição de novas conexões em algumas regiões. O Operador Nacional do Sistema Elétrico já identificou situações de esgotamento da capacidade em estados como Mato Grosso, com reflexos no Acre e em Rondônia, enquanto outras localidades caminham para cenário semelhante.

O problema está diretamente ligado ao crescimento da micro e minigeração distribuída (MMGD), que reúne desde residências com painéis solares até pequenos comércios e propriedades rurais. Esses sistemas, conectados à rede elétrica, passaram a injetar excedentes de energia em determinados horários, especialmente ao meio-dia, quando a geração solar atinge seu pico. Em regiões com alta adesão, a infraestrutura existente não tem capacidade para absorver esse volume adicional.

Energia Fotovoltaica Assú RN (225)
Em Mato Grosso, o sistema de distribuição de energia não comporta mais a instalação de placas fotovoltaicas - Foto: José Aldenir/Agora RN

Segundo o operador, a limitação é técnica e necessária para preservar a estabilidade do sistema. Em Mato Grosso, por exemplo, a geração instalada já supera a demanda máxima prevista, criando distorções no perfil de consumo e excedentes que chegam a ultrapassar 900 megawatts em determinados períodos do dia. Diante desse cenário, novas conexões ou ampliações têm sido negadas até que haja reforço da infraestrutura.

O avanço da energia solar no país ajuda a explicar a pressão sobre o sistema. Em 2025, o Brasil ultrapassou 60 gigawatts de capacidade instalada na fonte, que já responde por mais de 23% da matriz elétrica nacional, consolidando-se como a segunda maior fonte de geração, atrás apenas das hidrelétricas.

Além da limitação física das redes, o setor enfrenta desafios regulatórios. A Agência Nacional de Energia Elétrica tem intensificado a fiscalização sobre sistemas instalados, após identificar casos em que consumidores ampliaram a capacidade de geração além do autorizado, sem comunicação formal. Essas práticas podem gerar distorções tarifárias e custos adicionais para outros usuários, em um modelo conhecido como subsídio cruzado.

O órgão regulador avalia mudanças nas regras de conexão e na estrutura tarifária, com a possível adoção de sinais horários e locacionais para refletir melhor os custos do sistema. Ao mesmo tempo, especialistas defendem o avanço de soluções como o armazenamento de energia, que poderia reduzir a sobrecarga nas redes ao distribuir melhor a energia gerada ao longo do dia.

O cenário indica que o crescimento da energia solar no Brasil entra em uma nova fase, em que a expansão da geração dependerá não apenas da adesão dos consumidores, mas também da modernização da infraestrutura e do aprimoramento do marco regulatório para garantir equilíbrio e segurança ao sistema elétrico.