O dólar avançava 12,25%, cotado a R$ 5,6048, por volta das 9h40 desta segunda-feira 26, na primeira manhã após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No exterior, o fundo EWZ, que acompanha ações brasileiras e é negociado em Nova York, recuava 26,16% antes da abertura dos mercados. Os horários e valores correspondem ao levantamento informado pelo g1.
A reação ocorre após um resultado diferente do esperado por parte dos investidores, que projetavam uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com a confirmação do quarto mandato de Lula, o mercado passou a reavaliar as perspectivas para as contas públicas, o câmbio, os juros e a Bolsa.

As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinham início previsto para as 10h. Antes da abertura, analistas apontavam a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando o índice atinge determinados percentuais de queda.
Na sexta-feira 23, o dólar havia encerrado o pregão em baixa de 0,90%, a R$ 4,9930. O Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.083 pontos. Nesta segunda, os juros futuros, que refletem as expectativas para as taxas nos próximos meses e anos, também registravam alta nos contratos de prazos mais longos.
Contas públicas concentram atenção
Lula venceu o segundo turno com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, no recorte informado com quase todas as urnas apuradas. Como a maioria das pesquisas das últimas semanas apontava vantagem do candidato do PL, a vitória petista levou investidores a rever suas posições.
Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a condução das contas públicas estará no centro dessa avaliação.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse.
Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, afirmou que há sinalizações da equipe econômica para mudanças nas despesas.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, declarou.
No exterior, a queda do EWZ nesta segunda ocorre depois de um recuo superior a 19% informado na noite de domingo 25.
Contestação eleitoral amplia incertezas
Além das perspectivas econômicas, profissionais do mercado acompanham os possíveis desdobramentos da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação das 17h às 19h diante de problemas no deslocamento de eleitores.
Após a derrota, Flávio afirmou que não reconhecia o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, da Avenue.
Como funciona a interrupção da Bolsa
Pelas regras da B3, uma queda de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior provoca a suspensão das negociações por 30 minutos. Após a retomada, se a baixa atingir 15%, ocorre uma nova interrupção, de uma hora. Caso o recuo chegue a 20%, a Bolsa define o prazo para reabrir os negócios.
O histórico apresentado no material de referência aponta março de 2020, durante a pandemia de Covid-19, como o último período de acionamento do mecanismo. Naquele mês, ocorreram seis interrupções, e o índice chegou a cair mais de 14% em um dia.
Outros episódios incluem a crise asiática, em 1997, quando o Ibovespa caiu 10,19%; a desvalorização do real, em 1999, com baixa de 10,29%; e a crise financeira de 2008, quando houve seis paralisações em menos de um mês.
Entre as quedas que não atingiram o patamar de acionamento estão o recuo de 5,45% em 24 de abril de 2020, após a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça; de 4,25% em 28 de outubro daquele ano, com o aumento dos casos de Covid-19 e a proximidade das eleições americanas; e de 4,87% em 22 de fevereiro de 2021, após a intervenção do governo Jair Bolsonaro na Petrobras.
Em 5 de dezembro de 2025, o índice caiu 4,31% após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Focus e decisões de juros entram na agenda
A agenda desta segunda inclui o Boletim Focus, que reúne projeções do mercado para a economia brasileira. Como as estimativas foram coletadas até sexta-feira, o documento ainda não incorpora a reação ao resultado eleitoral de domingo.
Investidores também acompanham dados de confiança e de investimento estrangeiro direto.
No cenário internacional, a atenção se volta para as reuniões de bancos centrais. A decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, está prevista para quarta-feira 28, com possibilidade de nova elevação dos juros. Para o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, a expectativa informada é de manutenção das taxas.
Os preços do petróleo também são acompanhados em meio às negociações diplomáticas para aliviar a guerra entre Estados Unidos e Irã e às preocupações com novas interrupções no fornecimento.
Por volta das 7h40, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40%, a US$ 115,09. O WTI, referência nos Estados Unidos, recuava 1,95%, a US$ 101,26.
Na Ásia, as bolsas encerraram o dia sem direção única. O índice de Xangai subiu 0,19%, enquanto o CSI300 caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1,46%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,51%.