Com o mercado doméstico parado, as montadoras instaladas no Brasil veem no exterior a chance de manter ativas suas linhas de produção.
A fabricante de caminhões e ônibus MAN Latin America prepara a entrada em cinco novos países da África e Oriente Médio.

Nesse caso, irá abrir no exterior unidades no sistema CKD (em que as partes dos veículos são produzidas no Brasil e enviadas em kits para serem montadas).
A BMW, que inaugurou fábrica em Araquari (SC) em outubro de 2014, anunciou que iniciará exportações para os EUA em julho. Serão embarcados 10 mil carros ao ano.
“Essa política tem de ser permanente. É muito difícil retomar relações comerciais quando esta é interrompida para atender o mercado interno”, disse o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), Carlos Eduardo Portella.
O presidente da MAN, Roberto Cortes, diz que o plano é abrir mais cinco unidades de montagem em CKD, na Nigéria, no Quênia, no Marrocos, na Argélia e em um país do Oriente Médio, que pode ser o Irã. A montadora já mantém uma fábrica desse tipo na África do Sul.
“A ideia é exportar partes de caminhões da linha Volks e os ônibus. A fábrica da Nigéria começa a operar no segundo semestre”, disse Cortes. Hoje, 20% da produção é exportada. A meta é chegar a 40% em três anos.
PICAPE
Outra que já olha para fora é a Fiat. Segundo Stefan Ketter, presidente do grupo FCA na América Latina, diz que há interesse em exportar a recém-lançada picape Toro para os EUA, mas é preciso ajustar demandas (há fila de espera no Brasil) e resolver questões de logística. “Queremos que o Brasil se torne um exportador permanente.”
A Toyota, que acaba de apresentar a linha 2017 do compacto Etios, também quer ampliar as exportações via acordos comerciais na América do Sul, mas enfrenta problemas de competitividade.
De acordo com o presidente da marca no Brasil, Konji Kondo, as fábricas da Tailândia, dos EUA e do Japão encontram melhores condições comerciais para abastecer mercados que poderiam receber carros feitos no Brasil.
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as exportações, em volume, no primeiro trimestre do ano totalizaram 98,8 mil unidades, aumento de 24%.
Em valores, os embarques apresentaram queda de 7,6%, de US$ 2,43 bilhões para US$ 2,25 bilhões. No mês passado, a queda foi de 7,7% sobre março de 2015, de US$ 920 milhões para US$ 850 milhões.
O presidente da Anfavea, Luiz Moan, já havia ressaltado que o acordo de exportação de veículos para o Irã tem enorme potencial e pode alavancar os embarques das empresas brasileiras. Pelos cálculos da Anfavea, o mercado iraniano pode absorver 140 mil automóveis, 17 mil ônibus e 35 mil caminhões.
Portella, da AEB, disse que o país deverá abocanhar boa parte do volume para a renovação de frota do Irã. “O Brasil sempre manteve boa relação com o Irã. Creio que temos grandes chance de estreitar a parceria.”