Os mercados globais reagiram positivamente nesta segunda-feira 23 diante de sinais de redução das tensões no Oriente Médio. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possível avanço nas negociações com o Irã ajudaram a aliviar a percepção de risco e provocaram uma forte queda nos preços do petróleo, além de impulsionar bolsas e pressionar o dólar para baixo.
Em entrevista à Fox Business, Donald Trump afirmou que houve progresso nas tratativas para encerrar o conflito e anunciou o adiamento, por cinco dias, de uma possível ação militar contra a infraestrutura energética iraniana. Apesar de o governo do Irã ter negado a existência de negociações, o mercado reagiu de forma imediata ao tom mais moderado do discurso.

O impacto mais visível ocorreu no petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a cair mais de 13% ao longo do dia e encerrou com recuo de 10,91%, cotado a US$ 99,94 — o menor patamar desde meados de março. Nos Estados Unidos, o WTI também registrou forte baixa, de 10,28%, fechando a US$ 88,13.
Analistas avaliam que o movimento reflete uma redução do chamado prêmio de risco geopolítico, embutido nos preços desde o início do conflito. “A queda do Brent representa uma descompressão do prêmio de risco geopolítico. A percepção que vem prevalecendo é a de que os EUA devem evitar atacar infraestruturas do Irã no curto prazo”, afirmou Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, ao jornal Valor Econômico.
Mesmo com a queda expressiva, o petróleo ainda acumula alta significativa desde o início da guerra, superior a 40%, o que evidencia o peso das tensões geopolíticas na formação dos preços da commodity.
O ambiente de maior apetite ao risco também se refletiu no câmbio. O dólar recuou e encerrou o dia cotado a R$ 5,24, no menor nível das últimas semanas. No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes — caiu 0,5%, enquanto a maioria das principais moedas globais se valorizou.
Para especialistas, o movimento está diretamente ligado à expectativa de uma possível solução diplomática para o conflito. “Há um entendimento de que estamos mais próximos do fim da guerra do que se imaginava. Com isso, tivemos um alívio do risco nos mercados globais”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
No Brasil, o reflexo foi imediato na bolsa de valores. O Ibovespa avançou 3,24%, encerrando aos 181.932 pontos — o maior ganho diário desde janeiro, impulsionado principalmente pela queda do petróleo e pela melhora no cenário externo.
O desempenho reforça como o conflito no Oriente Médio tem sido determinante para os mercados nas últimas semanas, com o petróleo funcionando como principal termômetro das incertezas globais.