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CINEMA

“Supergirl” estreia com DNA brasileiro

Novo filme da DC apresenta a heroína interpretada por Milly Alcock e adapta HQ ilustrada por artistas brasileiros
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 13:53

Depois de fazer sua primeira aparição no novo universo cinematográfico da DC em “Superman” (2025), Kara Zor-El ganha seu primeiro filme solo. “Supergirl”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, apresenta a heroína interpretada por Milly Alcock e reúne conexões brasileiras tanto na origem da história quanto na equipe criativa responsável pela adaptação.

O longa é baseado na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã (Panini, 2022), escrita por Tom King e ilustrada e colorida pelos brasileiros Bilquis Evely e Matheus Lopes. Além disso, o roteiro é assinado por Ana Nogueira, filha de pai brasileiro, que afirma manter uma relação próxima com o país.

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Milly Alcock assume o papel de Kara Zor-El - Foto: reprodução

“Meu pai é brasileiro. E ele foi a única pessoa da família a se mudar para os Estados Unidos. Então, metade de minha família vive no Brasil. Vinha muito ao Brasil quando criança. Passávamos o Natal aqui a cada dois anos”, contou a roteirista.

Ela afirma que os vínculos familiares permaneceram ao longo da vida. “Passei minha lua de mel no Brasil, porque queria mostrar o país ao meu marido (o ator da Broadway Nick Blaemire). O Brasil é uma grande parte de minha vida.”

Conhecida anteriormente como atriz da série Diários de um Vampiro, Ana Nogueira faz sua estreia no novo universo da DC. Antes da reformulação do estúdio, ela chegou a trabalhar em uma versão do roteiro de “Supergirl” estrelada por Sasha Calle, que interpretou a personagem em “The Flash”. Também participou do desenvolvimento de um projeto para um novo filme da Mulher-Maravilha.

Na nova produção, Kara Zor-El é apresentada como uma personagem com trajetória distinta da de seu primo Clark Kent, vivido por David Corenswet em “Superman”. Após a destruição de Krypton, ela encontra dificuldades para se adaptar à vida na Terra e passa a viajar pelo universo, especialmente para planetas com sol vermelho, onde seus poderes deixam de funcionar.

A rotina muda quando Krypto, seu cachorro, é envenenado pelo vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts. Ao lado da jovem Ruthye, vivida por Eve Ridley, que também busca vingança após perder os pais, Supergirl inicia uma jornada por diferentes planetas para encontrar o responsável pelo crime e o antídoto capaz de salvar o animal.

O elenco ainda conta com Jason Momoa, que interpreta o anti-herói Lobo. Milly Alcock revelou que soube da escolha para viver Supergirl de maneira pouco convencional.

“Tive uma reunião com Peter Safran (um dos dois CEOs da DC Studios) no fim de 2023. Ele me disse que tinha este filme, ‘Supergirl’. Meses depois, eu estava na Austrália, de volta em casa, e recebi uma ligação pedindo para mandar um teste de vídeo. Fiz isso. Dez dias depois, eu estava em Atlanta, fazendo outro teste. Uma semana depois, James Gunn (o outro CEO) me mandou um WhatsApp com uma reportagem anunciando que o papel era meu.”

A atriz conta que a confirmação chegou por mensagem de celular. “Literalmente, foi uma mensagem no WhatsApp. Não me ligaram, me pareceu quase sem importância. Estava de volta à Austrália. Recebi a mensagem e falei: ‘Legal!’. Foi empolgante, mas é uma coisa assustadora. Então, comprei a champanhe mais barata do mercado e fiquei bêbada com minhas amigas.”

Segundo Ana Nogueira, a decisão de colocar o cachorro Krypto no centro da narrativa ajuda a aproximar o público da personagem.

“Às vezes, algo tão grande como salvar o mundo se torna meio abstrato, difícil de se conectar, de se relacionar. Queríamos que a coisa mais importante na história fosse essa personagem e precisávamos manter o foco nela.”

Para a roteirista, Krypto representa muito mais do que um animal de estimação. “O cachorro simboliza tanta coisa para ela. O planeta e a família que perdeu, e tudo o que conheceu. Sentimos que são coisas pelas quais as pessoas passam, obviamente em uma escala maior. Normalmente, o seu cachorro não é envenenado.”

Milly Alcock compartilha dessa visão e afirma que o animal representa todo o universo afetivo da protagonista.

“Penso que, no fim das contas, todos nós existimos em nossa própria compreensão de mundo. Para Kara, Krypto é seu mundo. Vemos que, quando ela adota o Krypto, é como um renascimento de sua mãe.”

Ela acrescenta que o personagem concentra todas as memórias afetivas da heroína. “Penso que ele é uma representação de todo lugar que ela já esteve e todas as pessoas que ela já amou. Ela não está literalmente salvando o mundo, mas está simbolicamente salvando o seu mundo. E é o único poder que controlamos em nossas vidas.”

O diretor Craig Gillespie, conhecido por “Eu, Tonya” e “Cruella”, afirma que a proposta do filme sempre foi apresentar uma história centrada em relações pessoais, e não apenas em grandes ameaças ao planeta.

“Não é sobre salvar o Universo. É sobre algo muito conectável. No seu próprio universo, o que é importante para você. São as pessoas, são os animais. Você se descobre em suas prioridades.”

Segundo Gillespie, essa foi a visão apresentada aos executivos da DC durante sua seleção para comandar o projeto.

“Eu recebi o roteiro e fiz uma reunião com James e Peter. Eles estavam em Atlanta filmando ‘Superman’. Eu amei o roteiro.”

Ele afirma que procurou deixar claro desde o início como imaginava a adaptação. “Eles estavam conversando com outros diretores também, mas, para mim, foi importante mostrar exatamente o que eu queria fazer. Se eles gostassem, ótimo. Se não gostassem, tudo bem. Você não quer ser pego no meio do caminho fazendo um filme diferente.”