Ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJRN) e do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), o desembargador aposentado Expedito Ferreira de Souza confirmou que será candidato a deputado estadual pelo PSDB nas eleições de 2026 e afirmou que pretende levar para a política a experiência acumulada em mais de quatro décadas de atuação no Judiciário.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Tamo Junto, da Rádio Universitária UFRN, na noite desta terça-feira 23. Filiado recentemente ao PSDB, partido comandado no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, Expedito disse que sua entrada na vida partidária só ocorreu após a aposentadoria. Segundo ele, enquanto estava em atividade no Tribunal de Justiça, nunca cogitou deixar a carreira para disputar mandato.

“Eu servi 10 anos na Polícia Militar, 44 anos no Tribunal de Justiça, sendo sempre servindo ao povo. Eu gosto de desafios. E estou pretendendo servir ao povo do Rio Grande do Norte e não ser servido”, afirmou.
Natural de Alexandria, no Alto Oeste potiguar, Expedito Ferreira nasceu em 24 de fevereiro de 1950. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1979 e ingressou na magistratura estadual no ano seguinte. Antes da toga, passou pela Polícia Militar, carreira que também foi lembrada por ele como parte de sua formação pessoal e profissional.
Na Justiça estadual, iniciou a trajetória como juiz na comarca de Upanema. Depois, atuou em Martins, Pau dos Ferros e Mossoró, onde permaneceu por longo período em varas criminais. Em 2004, chegou ao cargo de desembargador pelo critério de antiguidade. No Tribunal, ocupou funções como vice-presidente, corregedor, diretor da Escola da Magistratura, presidente do Tribunal Regional Eleitoral e presidente do Tribunal de Justiça no biênio 2017-2018.
Durante a entrevista, Expedito procurou associar sua biografia à defesa da educação. Ao ser questionado sobre quais bandeiras pretende levar à Assembleia, disse que a primeira será a área educacional, por considerar que sua própria trajetória foi construída a partir do estudo.
“Foi através da educação que eu cheguei aonde cheguei. A educação tira o jovem da droga, tira o jovem da rua, faz com que as crianças tenham educação. Eu acho que a primeira minha pauta vai ser a educação”, afirmou.
O pré-candidato também citou a saúde pública como uma preocupação central. Ele relatou que, em plantões judiciais, precisou decidir sobre pedidos de vagas em UTI, situação que classificou como triste e difícil. Segundo Expedito, a judicialização da saúde expõe dramas que não se limitam ao Rio Grande do Norte, mas atingem todo o país.
“Eu, como magistrado, vários plantões, a gente tinha que decidir quem ia para a UTI. Lamentavelmente. É uma tristeza”, disse. Em outro momento, afirmou que há pacientes esperando até dois anos para conseguir uma cirurgia.
A candidatura de Expedito ocorre em um momento de reorganização do PSDB no Rio Grande do Norte. A legenda, sob o comando de Ezequiel Ferreira, trabalha para fortalecer a nominata proporcional e ainda não definiu oficialmente qual caminho seguirá na disputa pelo Governo do Estado. Na entrevista, o desembargador aposentado deixou claro que não tomará uma posição isolada sobre o palanque majoritário.
“Vou aguardar pelo presidente Ezequiel, a minha decisão vai ser em conjunto com o PSDB”, declarou.
Questionado sobre apoio ao Governo e ao Senado, Expedito afirmou que ainda não tem nomes definidos. Disse que o partido deverá ouvir seus integrantes antes de tomar posição. Sobre Ezequiel, elogiou a habilidade política do presidente da Assembleia.
“O presidente Ezequiel é uma águia na política, sempre toma as decisões certas, na hora certa”, afirmou.
Ao narrar sua trajetória, Expedito destacou a origem humilde. Contou que o pai era funcionário dos Correios, guarda-fios, e que a mãe era costureira. Disse que saiu cedo do interior para estudar em Mossoró, passou pela Polícia Militar, cursou Direito e chegou à magistratura por concurso. Essa biografia deve ser uma das marcas de sua pré-campanha.
O ex-desembargador também relembrou casos marcantes da carreira. Ao ser perguntado sobre o processo que mais o abalou emocionalmente, citou um crime ocorrido em Assú, envolvendo o assassinato de uma criança de oito anos em um ritual.
“Mexeu muito”, afirmou.