BUSCAR
BUSCAR
Eleições 2026

Nina despista sobre apoio no 2º turno no RN e diz que foco é Flávio presidente

Eleita deputada federal com 185.248 votos, parlamentar afirma que seguirá orientação do PL na disputa estadual, mas que foco é na corrida presidencial
Agora RN
07/10/2026 | 00:52

A deputada federal eleita Nina Souza (PL) evitou anunciar apoio a uma das candidaturas que disputarão o segundo turno para o Governo do Estado e afirmou que sua prioridade será trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Vereadora e primeira-dama de Natal, a parlamentar disse que aguardará as orientações partidárias para definir sua posição na disputa entre Allyson (União) e Cadu de Lula (PT).

“Minha preocupação agora é com o presidente da República, com o 22, Flávio Bolsonaro. Meu trabalho agora será voltado a isso”, afirmou.

Nina Souza fala ao microfone durante ato político, com apoiadores ao fundo
Deputada federal eleita Nina Souza (PL) em ato de campanha com o prefeito Paulinho Freire (União), seu marido — Foto: Instagram/Reprodução

Questionada sobre o cenário estadual após a eliminação de Álvaro Dias (PL), a quem apoiou no primeiro turno, acrescentou. “Com relação ao Governo do Estado, eu vou esperar as diretrizes do meu partido. Eu sou partidária e sigo o que eles determinarem. Mas hoje meu voto é 22, é Flávio Bolsonaro”, despistou.

Nina conquistou 185.248 votos, terminando a eleição com a segunda maior votação do Estado para deputada federal, atrás apenas de Natália Bonavides (PT). O PL elegeu três representantes para a bancada potiguar na Câmara: além de Nina, houve também as reeleições de Sargento Gonçalves e General Girão.

Apesar da própria vitória, Nina afirmou que o resultado dos aliados impediu uma comemoração plena. Além de Álvaro não ter avançado ao segundo turno, lembrou que seu candidato a deputado estadual — o vereador de Natal Eriko Jácome (MDB) —não conquistou uma cadeira, mesmo tendo recebido mais de 45 mil votos.

“A gente se abala, eu não consigo olhar só para mim”, declarou.

Na disputa estadual, Álvaro terminou em terceiro lugar, com 530.580 votos, ou 26,71% dos válidos. Allyson recebeu 733.809 votos, correspondentes a 36,94%, e Cadu somou 718.300, equivalentes a 36,16%. Os dois disputarão o governo em 25 de outubro, após uma diferença de 15.509 votos no primeiro turno.

Nina informou que viajaria a Brasília nesta terça-feira 6 para iniciar reuniões e disse que aguardará as orientações do senador Rogério Marinho, presidente estadual do PL, e do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), seu marido. A parlamentar afastou a expectativa de uma definição imediata sobre o apoio ao governo potiguar e voltou a destacar a mobilização presidencial. “A gente não está apressado não. Vamos devagarzinho. Vai começar a discussão”, disse. “A gente está apressado para ir para a rua pedir o voto de Flávio.”

Desempenho de Álvaro

Ao avaliar o desempenho de Álvaro, Nina atribuiu a votação obtida em Natal à combinação entre a trajetória do ex-prefeito na cidade e o empenho de Paulinho na campanha. Segundo ela, o prefeito concentrou esforços em caminhadas e reuniões na capital, enquanto a candidatura estadual percorria outros municípios.

“Álvaro foi prefeito de Natal, então ele também é conhecido em Natal”, afirmou. “Então foi um trabalho coletivo, bacana, pedindo voto realmente pra ele.”

Álvaro liderou a votação para governador na capital, com 165.210 votos e 39,69% dos válidos. Cadu ficou em segundo, com 147.509 votos, e Allyson em terceiro, com 101.941. A vantagem do candidato do PL sobre Allyson em Natal foi de 63.269 votos, embora o resultado estadual tenha deixado Álvaro fora do segundo turno.

“Álvaro era o nosso candidato e a gente abraçou como se fosse a nossa candidatura. Paulinho fez tudo o que ele pôde”, declarou Nina, ao defender a participação do prefeito na campanha.

Segundo turno presidencial

Sobre a eleição presidencial, a deputada eleita demonstrou confiança na vitória de Flávio, mas afirmou que o resultado dependerá da continuidade do trabalho nas ruas. O senador disputará o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Agora não existe campanha ganha. A gente precisa levantar, ir para a rua e mostrar com calma que ele é de fato a pessoa que nesse momento tem condições de melhorar esse país”, disse.

Nina também destacou a reação favorável do mercado financeiro à votação de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Na avaliação dela, a perspectiva de vitória do candidato do PL beneficia as expectativas sobre a economia. “A economia respira com a possibilidade de o Flávio ser o presidente”, afirmou. O candidato do PL terminou o primeiro turno com uma vantagem de 2,2 milhões de votos sobre Flávio.

Polarização

Ao tratar das diferenças entre esquerda e direita, Nina defendeu uma abordagem gradual para conquistar eleitores que ainda não compartilham de suas posições. Disse que a apresentação de resultados e de melhorias na vida das pessoas pode ampliar a adesão ao seu campo político.

“A gente tem que ter paciência, ter calma e gradativamente ir mostrando que a gente pode fazer diferente”, declarou.

A parlamentar afirmou ter recebido votos de eleitores de esquerda e atribuiu esse apoio à sua atuação. “Eu sou de direita, mas tive muito voto de pessoas de esquerda”, disse. “E quando a gente faz o bem, a gente faz o bem sem olhar quem.”

Nina também reafirmou posições conservadoras. “Eu sou contra o aborto, eu sou contra liberação da droga, eu sou contra invasão da propriedade privada, eu sou contra a lei da mordaça”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eu sou a favor que as pessoas tenham dignidade”.

Na avaliação da deputada eleita, o receio de perder benefícios sociais é um dos obstáculos à aproximação de parte do eleitorado com candidatos de direita. “As pessoas têm medo de perder o Bolsa Família, como se o candidato de direita fosse tirar”, declarou.

Ela também criticou o que considera desinformação no debate político e voltou a defender paciência no convencimento dos eleitores. “É muita narrativa, muita mentira”, disse. Para o segundo turno, afirmou que pretende concentrar esforços na mobilização pela candidatura presidencial do PL: “Vamos todo mundo arregaçar as mangas e gastar força e energia”.