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Eleições 2026

Centrão sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial

Federação União Brasil-PP avalia alianças para a próxima etapa e busca preservar espaço político e governabilidade
Agora RN
05/10/2026 | 23:00

A direção da federação União Brasil-PP sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, sob a avaliação de que a disputa já estaria definida. O desempenho do senador surpreendeu lideranças do centrão, que esperavam Lula (PT) à frente. Com 100% das urnas apuradas, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A expectativa é que outras legendas encaminhem suas posições nesta semana. A aproximação envolve a perspectiva de participação em um eventual governo: partidos que aderem primeiro costumam obter vantagem na distribuição de ministérios e outros espaços. Para Flávio, as alianças também podem fortalecer a governabilidade. União Brasil e PP projetam eleger cerca de 115 deputados, uma base expressiva para a construção de maioria na Câmara.

A federação reunirá deputados e senadores eleitos nesta terça-feira 6, às 16h, em Brasília. A tendência é apoiar Flávio nacionalmente, permitindo que diretórios estaduais respaldem Lula sem punição. Os presidentes Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, devem participar.

Flávio Bolsonaro faz um coração com as mãos diante de apoiadores
Candidato do PL teve 47,03% dos votos — Foto: Instagram/Reprodução

Nogueira é o mais inclinado à adesão. Derrotado na tentativa de reeleição ao Senado pelo Piauí, atribui peso à atuação de Lula, que apoiou os eleitos Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). O presidente rompeu um pacto de não agressão com Nogueira ao chamá-lo indiretamente de “vira-lata” durante visita ao estado.

Segundo aliados, Nogueira poderá negociar um ministério, já que ficará sem mandato em fevereiro. Rueda e outras lideranças do União Brasil adotam maior cautela e querem vincular a aliança ao apoio do PL à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027.

No MDB, a neutralidade perdeu sustentação com o enfraquecimento da ala lulista. Renan Calheiros não se reelegeu senador em Alagoas, Renan Filho perdeu a disputa pelo governo no mesmo estado e Helder Barbalho, embora eleito senador, não fez seu sucessor no Pará. O grupo preservou força com as reeleições de Veneziano Vital do Rêgo (PB), Marcelo Castro (PI) e Eduardo Braga (AM). A ala bolsonarista é liderada pelo prefeito paulistano Ricardo Nunes.

O Republicanos tende a liberar os diretórios. Flávio mantém relação distante com Marcos Pereira, presidente da sigla, mas conta com Tarcísio de Freitas, reeleito governador paulista. Já Hugo Motta, presidente da Câmara, fez campanha para Lula na Paraíba. Seu pai, Nabor Wanderley, perdeu a eleição ao Senado sem apoio do petista. A neutralidade busca proteger Motta, que se aproximou de Lula após dificuldades com bolsonaristas.

O PSD, por sua vez, anunciou neutralidade no domingo, frustrando aliados do senador que esperavam apoio de Ronaldo Caiado, quarto colocado com 2,18%. A direção liberou os diretórios estaduais.

As adesões têm efeito político, pois, no segundo turno, o tempo de rádio e televisão é dividido igualmente entre os candidatos, independentemente das alianças.