A cantora Madonna revelou que divergências com a Universal Pictures foram determinantes para o cancelamento da cinebiografia que contaria sua trajetória nos cinemas. Em entrevista à revista americana Interview, a artista detalhou os bastidores do projeto que permaneceu em desenvolvimento por vários anos e chegou a mobilizar roteiristas, produtores e um extenso processo de seleção para definir quem interpretaria a estrela nas telas.
O longa foi anunciado em 2021, após uma disputa entre estúdios interessados em produzir a obra. A Universal Pictures assumiu o desenvolvimento do projeto, que teria a própria Madonna como diretora e coautora do roteiro.

Ao longo do processo, nomes importantes da indústria cinematográfica foram incorporados à equipe criativa. Entre eles estavam as roteiristas Diablo Cody, vencedora do Oscar por Juno, e Erin Cressida Wilson, conhecida por trabalhos em produções como A Garota no Trem.
A produção também chamou atenção pela escolha da atriz que interpretaria Madonna. Em 2022, Julia Garner, vencedora do Emmy por sua atuação na série Ozark, foi confirmada como protagonista após um processo de audições amplamente divulgado pela imprensa especializada.
Apesar do avanço do projeto, as negociações acabaram interrompidas antes do início das filmagens. Segundo Madonna, o principal obstáculo foi a discordância entre ela e o estúdio sobre o orçamento necessário para contar sua história.
“Eu deveria fazer um filme sobre a minha vida. Trabalhei no roteiro por dois anos e passei outros dois anos nos estúdios da Universal com os produtores de linha elaborando orçamento e escalando elenco”, contou a cantora.
“Mas houve um desentendimento entre mim e a Universal em relação ao orçamento, porque eu precisava… Tive uma vida extraordinária. Tive uma vida enorme, então precisava de um grande orçamento. Entende o que quero dizer?”, afirmou.
A artista explicou que acreditava ser impossível retratar adequadamente sua trajetória sem recursos compatíveis com a dimensão de sua carreira. Segundo ela, a Universal não compartilhava da mesma visão sobre o investimento necessário para a produção.
Em busca de alternativas, Madonna chegou a estudar a possibilidade de reduzir os custos do projeto transferindo parte da produção para a Sérvia. Mesmo assim, as negociações não avançaram.
De acordo com a cantora, os executivos do estúdio demonstraram resistência à proposta e chegaram a questionar sua disposição para permanecer no país durante as filmagens.
“Talvez eles simplesmente não acreditassem em mim”, afirmou.
“Uma das primeiras reações deles foi: ‘Não acreditamos que você ficaria mais de quatro dias na Sérvia’. E eu respondi: ‘Vocês leram o roteiro?’. Minha vida inteira foi uma questão de sobrevivência. Eu não estava indo para lá de férias. Mas, enfim, fiquei numa espécie de limbo quando tudo desmoronou”, relatou.
Com o fim do projeto cinematográfico, surgiu uma nova possibilidade. Segundo Madonna, a Netflix procurou sua equipe interessada em desenvolver uma série baseada em sua vida. A mudança de formato, entretanto, trouxe novos desafios.
A cantora explicou que não poderia utilizar o roteiro elaborado durante os anos de parceria com a Universal sem adquirir novamente os direitos do material.
“Foi outro processo longo, porque eu não podia usar o roteiro que tinha desenvolvido para a Universal, a menos que o comprasse deles por um preço abusivo, mesmo tendo sido eu quem o escreveu. Nem me pergunte”, declarou.
A adaptação ao formato televisivo também se mostrou mais complexa do que ela imaginava. Madonna afirmou que precisou compreender uma estrutura completamente diferente de produção, envolvendo a contratação de roteiristas e a busca por um showrunner capaz de liderar a série.
“É assim que as coisas acontecem”, continuou. “Comecei a tentar entender como seria fazer uma série. É um processo muito, muito diferente. Você precisa se reunir com muitos roteiristas e encontrar o showrunner certo, e eu não consegui encontrar um.”
Segundo a cantora, esse processo se prolongou por vários meses.
“Isso se arrastou por mais oito ou nove meses. Eu pensava: ‘Ainda bem que tenho outro trabalho, porque preciso trabalhar, preciso criar. Preciso fazer aquilo para o que fui colocada neste mundo’”, afirmou.
Embora o filme nunca tenha saído do papel, detalhes sobre o conteúdo planejado foram revelados por fontes ouvidas pela revista Variety. De acordo com a publicação, a narrativa acompanharia a trajetória de Madonna desde a infância em Michigan, nos Estados Unidos, passando pela mudança para Nova York e pelos desafios enfrentados no início da carreira artística durante os anos 1980.
A história avançaria até o lançamento de Ray of Light, lançado em 1998 e considerado um dos trabalhos mais importantes de sua discografia. O projeto era visto como uma das produções biográficas mais aguardadas de Hollywood, especialmente pela participação direta da artista na elaboração do roteiro e na condução criativa do filme.
Atualmente, a Netflix segue desenvolvendo uma série autobiográfica baseada na vida de Madonna. A produção faz parte do acordo exclusivo firmado entre a plataforma de streaming e o produtor Shawn Levy, responsável por sucessos como Stranger Things e Deadpool & Wolverine.
A nova adaptação, entretanto, apresenta diferenças importantes em relação ao projeto original. Entre elas está a ausência de Julia Garner, que não integra a versão atualmente em desenvolvimento.
Mesmo sem previsão de estreia, a série mantém viva a possibilidade de levar às telas a trajetória de uma das artistas mais influentes da música pop mundial.
Com mais de quatro décadas de carreira, Madonna acumula recordes de vendas, turnês internacionais, transformações artísticas e impacto cultural que ajudaram a redefinir os limites da indústria do entretenimento. Agora, após o fracasso da cinebiografia planejada para o cinema, sua história poderá ganhar um novo formato diante do público, desta vez no universo das séries de televisão.