O cenário das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte começa a ganhar forma com três pré-candidaturas que representam projetos distintos e enfrentam desafios bem definidos. O prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União), o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e o secretário estadual de Fazenda, Cadu Xavier (PT) já se movimentam politicamente e passam a ser avaliados não apenas pelo potencial eleitoral, mas pelos obstáculos concretos que terão de superar até a campanha.
Alysson Bezerra surge como um dos nomes competitivos do momento. Reeleito com forte votação em Mossoró, construiu imagem associada à eficiência administrativa, discurso de renovação e comunicação direta com a população. No entanto, o principal desafio do prefeito deixou de ser apenas ampliar sua presença no cenário estadual e passar pela BR-304. Após operação da Polícia Federal, Alysson passou a ser investigado por corrupção, fator que altera significativamente o ambiente da pré-campanha. Em uma eleição majoritária, o aspecto jurídico pesa, amplia o desgaste político e tende a ser explorado de forma permanente pelos adversários. O teste para Alysson será manter a narrativa de gestor eficiente enquanto administra o impacto contínuo desse tema sobre sua imagem pública e eleitoral.

Álvaro Dias entra na disputa com um ativo relevante: experiência administrativa, grandes obras e popularidade na capital em alta. Ex-prefeito de Natal, tornou-se o nome em torno do qual a oposição se organizou, reduzindo o risco de fragmentação interna. Diferentemente de outros contextos, o desafio de Álvaro não é unir o campo oposicionista, mas convencer o eleitor de que sua trajetória representa solução e não o mais do mesmo. Para isso, precisará apresentar de forma objetiva o que fez por Natal, quais resultados entregou e como essa experiência pode ser aplicada ao Governo do Estado, sem soar como apego a práticas políticas que parte do eleitorado rejeita.
Já Cadu Xavier surge como a principal aposta do governismo. Técnico respeitado, com forte atuação na área fiscal, carrega o discurso da responsabilidade administrativa e do equilíbrio das contas públicas. O problema central de sua pré-candidatura, contudo, não está no currículo, mas no contexto político em que se insere. Os elevados índices de reprovação da governadora Fátima Bezerra (PT) funcionam como um peso direto sobre qualquer nome associado à continuidade da gestão. Em um ambiente de insatisfação popular, o eleitor tende a rejeitar o projeto antes mesmo de avaliar o candidato. Além disso, Cadu ainda enfrenta baixo conhecimento junto ao grande público, o que amplia o grau de dificuldade de sua missão eleitoral.
A disputa de 2026 no RN tende a ser definida menos por discursos e mais pela capacidade de cada candidato atravessar desgastes, reduzir rejeições e oferecer ao eleitor segurança política. Não será uma eleição simples, tampouco previsível.