O candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (PL) decidiu colocar Mossoró entre as prioridades desta reta da campanha. E há uma simbologia política evidente na escolha: trata-se justamente da cidade governada por anos por seu principal adversário na disputa, Allyson Bezerra (União), e onde o ex-prefeito mantém sua principal base eleitoral.
O movimento de Álvaro também funciona como uma espécie de resposta territorial à estratégia adotada por Allyson. Enquanto o candidato do União Brasil tem intensificado agendas e mobilizações em Natal — principal reduto eleitoral de Álvaro —, o candidato do PL passa a investir presença justamente em Mossoró.

A agenda começa nesta quinta-feira 3, quando Álvaro participa do debate da TCM, a partir das 20h15. Será o único confronto entre os candidatos ao Governo realizado fora de Natal e reunirá também Allyson Bezerra, Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL).
Álvaro permanece com Mossoró no radar e, no sábado 5, participa da “Motociata dos Elementos”, mobilização que vem ganhando espaço na campanha eleitoral mossoroense. O movimento é comandado pelos “elementos” Cabo Deyvison e Jorge do Rosário, candidatos do PL a deputado federal e estadual, respectivamente.
A escolha de Mossoró para uma agenda mais intensa não parece casual. A disputa entre Álvaro e Allyson também passa pelos dois maiores colégios eleitorais do Rio Grande do Norte. Allyson tenta crescer e marcar território em Natal; Álvaro busca fazer o caminho inverso e entrar com mais força no quintal eleitoral do adversário.
É uma disputa que começa a ganhar também um componente geográfico: um tentando avançar sobre a principal fortaleza eleitoral do outro.
Alô, MP?
Um gasto da Câmara Municipal de Parnamirim chama atenção e merece, no mínimo, explicações. Somente no primeiro semestre de 2026, o Legislativo municipal desembolsou mais de R$ 200 mil com itens como copos descartáveis, papel e café. O número chama ainda mais atenção quando se considera que o ano legislativo começa em fevereiro. O Ministério Público vai dar uma olhada nessa conta?
O fundo e os sinais dos partidos
Os primeiros depósitos do Fundo Eleitoral começaram a movimentar as campanhas no Rio Grande do Norte — e também a levantar dúvidas sobre as prioridades de cada partido. No PT, Natália Bonavides recebeu R$ 2,34 milhões e Fernando Mineiro, R$ 1,8 milhão. Enquanto isso, a candidatura de Cadu de Lula ao Governo do Estado contou, até agora, com R$ 711,5 mil. A diferença provoca uma pergunta inevitável: neste primeiro momento, o partido está priorizando as disputas proporcionais?
Na federação União Progressista, Benes Leocádio recebeu R$ 1 milhão do União Brasil, enquanto o PP repassou R$ 1,5 milhão para João Maia e o mesmo valor para Robinson Faria. Os três disputam espaço em uma chapa que trabalha para eleger dois deputados federais.
Maldição do impeachment
O impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, completou dez anos na última segunda-feira 31. A data chama atenção para o destino político dos parlamentares potiguares que participaram daquela votação. Dos três senadores do Rio Grande do Norte, apenas Fátima Bezerra, do PT, conseguiu vencer eleições depois do processo. Ela foi eleita e reeleita governadora, em 2018 e 2022. Garibaldi Filho e José Agripino Maia, por outro lado, não conseguiram renovar seus mandatos nas urnas.
Na Câmara
Entre os deputados federais do Estado, somente Zenaide Maia, então no PR, votou contra o impeachment de Dilma. Na eleição seguinte, em 2018, foi eleita senadora. Dos sete deputados potiguares que votaram a favor do afastamento, apenas Rogério Marinho, hoje no PL, ampliou sua trajetória política. Atualmente senador, tornou-se uma das principais lideranças do partido no cenário nacional.