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Informe do Correio

RN ainda não concluiu ajuste nas contas públicas

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta sexta-feira 12
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 15:59

O levantamento da XP Investimentos, divulgado por O Globo, recolocou a situação fiscal do Rio Grande do Norte no centro do debate político estadual. Segundo os dados, o Estado registrou crescimento real de 17,7% nas despesas entre janeiro e abril de 2026, enquanto as receitas avançaram 5,3% no mesmo período, sem considerar operações de crédito. O resultado posicionou o RN entre os estados com maior diferença entre crescimento de gastos e arrecadação no início do ano.

O estudo também apontou que o Rio Grande do Norte encerrou 2025 com disponibilidade de caixa negativa superior a R$ 3 bilhões e permanece com classificação C no índice de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional. O indicador considera fatores como liquidez, endividamento e poupança corrente dos estados.

Informe do Correio

O pré-candidato ao Governo do Estado e ex-secretário da Fazenda, Cadu Xavier, contestou a interpretação dos números. Segundo ele, parte relevante do aumento das despesas está associada a investimentos financiados por operações de crédito, especialmente no programa de recuperação de rodovias estaduais.

“O que eles chamam de despesa a gente chama de investimento”, afirmou, ao defender que os números devem ser analisados em conjunto com as obras e ações financiadas pelos empréstimos contratados pelo Estado.

Cadu também argumentou que investimentos financiados por crédito possuem natureza distinta das despesas correntes e afirmou ter tranquilidade para discutir a situação fiscal do Estado. Durante entrevista, comparou os números da gestão estadual com os cenários financeiros enfrentados pelas administrações municipais de Natal e Mossoró.

A argumentação do ex-secretário reforça uma distinção importante nas contas públicas: investimentos financiados por operações de crédito ampliam as despesas, mas também correspondem a receitas extraordinárias provenientes dos empréstimos. Ainda assim, o debate não elimina preocupações relacionadas à situação fiscal do Estado.

O próprio governo estadual realizou recentemente um contingenciamento de aproximadamente R$ 500 milhões do orçamento de 2026, justificando a medida pela necessidade de adequar as despesas ao comportamento da arrecadação no primeiro quadrimestre do ano. A contenção de gastos foi apresentada pela gestão como um ajuste preventivo para preservar o equilíbrio fiscal.

O cenário revela uma disputa de narrativas que tende a ganhar força durante a campanha eleitoral. De um lado, aliados da governadora Fátima Bezerra sustentam que o Estado avançou em relação aos períodos mais críticos das finanças públicas, retomou investimentos e manteve a regularidade salarial. De outro, adversários destacam o caixa ainda pressionado, o crescimento das despesas acima das receitas e as dificuldades enfrentadas em áreas como saúde e prestação de serviços públicos.

Nesse contexto, o debate sobre as contas estaduais tende a ocupar posição central na sucessão estadual de 2026. A discussão envolve não apenas a evolução de indicadores fiscais, mas também a capacidade do Estado de transformar receitas, investimentos e equilíbrio orçamentário em melhorias percebidas pela população nos serviços públicos.

Cadu atribui desgaste à comunicação do governo

Ao comentar os índices de avaliação da gestão estadual, Cadu Xavier afirmou recentemente que problemas de comunicação e articulação política contribuíram para a percepção negativa do governo junto à população.

A avaliação, porém, encontra resistência entre analistas e setores da oposição, que atribuem o desgaste principalmente à percepção dos cidadãos sobre a qualidade dos serviços públicos oferecidos pelo Estado.

Nesse entendimento, a comunicação institucional pode influenciar a divulgação de ações governamentais, mas não substitui a percepção prática da população sobre áreas como saúde, segurança, educação e infraestrutura.

O debate reforça um dos principais desafios enfrentados por governos em fim de mandato: conciliar resultados fiscais, execução de políticas públicas e aprovação popular em um ambiente marcado pela disputa eleitoral.