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Saulo Spinelly

Quem manda antes de vencer: a disputa pela Assembleia no centro da sucessão do RN

Confira o artigo de Saulo Spinelly desta quarta-feira 14
Saulo Spinelly
14/01/2026 | 05:57

Na política, diálogo nunca é isolado. Ele quase sempre vem acompanhado de compromisso, ainda que esse compromisso nem sempre seja assumido publicamente. As fotos posadas, tão comuns nas redes sociais, raramente revelam o que realmente importa: o bastidor, onde o jogo é jogado de verdade.

É nesse ambiente que se insere a aproximação entre o deputado estadual Kleber Rodrigues e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que desponta como pré-candidato ao Governo do Estado pela federação União Progressista. O entendimento entre os dois foi além do gesto público e do apoio simbólico. Nos bastidores, Allyson assumiu o compromisso de apoiar Kleber na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, sinalizando desde já uma preocupação com governabilidade e sustentação política em caso de vitória.

Quem manda antes de vencer: a disputa pela Assembleia no centro da sucessão do RN - Foto: José Aldenir/Agora RN
Quem manda antes de vencer: a disputa pela Assembleia no centro da sucessão do RN - Foto: José Aldenir/Agora RN

O movimento não se resume a um acordo pessoal. Ele se desdobra em articulação partidária e redesenha alianças. Dentro desse mesmo pacote político, abriu-se o caminho para a filiação de Kleber ao PP, mesmo após o deputado estar apalavrado para seguir ao MDB. A migração foi facilitada pelo comando do partido no Rio Grande do Norte, exercido pelo deputado federal João Maia, irmão da senadora Zenaide Maia e com quem Kleber deverá formar dobradinha eleitoral.

O desenho da chapa majoritária também começa a ganhar contornos mais definidos. João Maia trabalha para viabilizar o nome de Shirley Targino, ex-prefeita de Messias Targino, como vice na chapa de Allyson Bezerra, reforçando o peso político do PP dentro da federação e ampliando o alcance regional do projeto.

Do outro lado do tabuleiro, o Governo do Estado, comandado por Fátima Bezerra, que integra a chamada federação Brasil da Esperança, observa o movimento com cautela. Até aqui, o grupo governista evita assumir compromissos mais firmes no desenho da sucessão. A estratégia é clara: preservar, enquanto for possível, o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, peça-chave para qualquer projeto que pretenda manter influência no Parlamento estadual.

Essa hesitação não é casual. Assumir desde já uma definição de chapa ou de comando da Assembleia poderia afastar Ezequiel, cujo capital político segue sendo disputado por diferentes campos. Manter o jogo em aberto, portanto, é uma tentativa de ganhar tempo e preservar pontes.

No fim das contas, o cenário que se desenha mostra que a eleição de 2026 começa a ser decidida muito antes da campanha oficial. Não se trata apenas de apoios formais, mas de composição de poder, controle institucional e antecipação de governabilidade. A foto pode até render curtidas, mas é o bastidor que define o rumo do Estado.