O diálogo é fundamental no exercício da atividade política, em qualquer dos Poderes. No Legislativo, é a sua própria razão de existir — parler (falar), acrescido do sufixo ment (ação), no francês antigo.
Nesse “lugar de fala”, cabe todo tipo de debate que interessa à sociedade. Mesmo aqueles que geram conflitos, embates acalorados e divergências aparentemente insuperáveis.

A jornalista Thaisa Galvão me deixou pensando nisso quando comentou, na FM Universitária:
— Temos uma bancada federal que não senta para discutir o mesmo assunto, juntos. São intrigados uns com os outros. É ridículo. Eles são podres — disparou Thaisa, no programa Tamo Junto.
O comentário da colega pode parecer duro, mas aponta um problema real: a intolerância alimentada pela polarização política.
Invertendo a lógica da Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, podemos recitar o poeminha da bancada potiguar:
Rogério que odiava Natália,
que odiava Girão,
que não amava Mineiro,
que odiava Sargento Gonçalves,
que não tolerava Zenaide,
que suportava Robinson,
que engolia Benes,
que aceitava João Maia,
que evitava Carla Dickson,
que permitia Styvenson —
que não amava ninguém.
Sou de um tempo em que, como repórter em Brasília, via a bancada federal se reunir, independentemente das bandeiras partidárias, para tratar de temas de grande interesse da sociedade potiguar: a liquidação do banco estadual (Bandern), a transposição do Rio São Francisco, o novo aeroporto, a privatização da Cosern, a duplicação de rodovias, os royalties do petróleo, entre outros.
Fui testemunha de muitos momentos de civilidade, em que o respeito prevalecia mesmo diante das diferenças políticas e da rivalidade que imperava nas campanhas eleitorais.
Como lembrou Thaisa, naquele tempo até “as oligarquias” sentavam à mesma mesa para discutir os problemas do Estado.
Havia divergências, disputas e interesses — mas havia, sobretudo, interlocução.
Hoje, não há nada parecido. Há apenas treta.
Legado da Copa
A Prefeitura do Natal deve lançar no próximo mês a licitação para pavimentação da Avenida Jerônimo Câmara.
— A drenagem já está garantida pelo túnel que passa sob a via. O que vamos licitar agora é basicamente a recomposição do pavimento — afirmou a secretária de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, na 98 FM.
A pendência se arrasta desde as obras da Copa do Mundo de 2014.
Sinal amarelo
A União pagou R$ 84,32 milhões em dívidas não honradas pelo Rio Grande do Norte em janeiro. Os dados constam do Relatório Mensal de Garantias Honradas (RMGH), divulgado ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional. No período, o RN foi o ente com o maior volume coberto pelo governo federal.
Outros desembolsos
Ao todo, a União desembolsou R$ 257,73 milhões para quitar compromissos de quatro estados e três municípios. Depois do RN, aparecem Rio de Janeiro (R$ 82,34 milhões), Rio Grande do Sul (R$ 70,55 milhões) e Amapá (R$ 19,55 milhões).
Refluxo de caixa
A Secretaria Estadual da Fazenda atribuiu o atraso a um “problema pontual de fluxo de caixa”. Houve apenas um intervalo entre o vencimento da parcela e a execução da contragarantia pela União — mecanismo que ocorre por meio da retenção automática de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE).