Desde o tempo do Chalaça, confidente de Dom Pedro I, o poder brasileiro convive com personagens tenebrosos.
São operadores, lobistas, intermediários — figuras que transitam entre gabinetes e empresas, influenciando decisões e, não raro, protagonizando escândalos que sacodem a República.

O vilão da vez é Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master, protagonista da maior fraude bancária da história — segundo palavras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Quem não lembra de Paulo César Farias, o PC Farias, tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello e pivô do escândalo que levou ao impeachment do ex-presidente?
Não havia Branca de Neve em Brasília, mas depois de PC Farias surgiu um deputado chamado João Alves de Almeida, chefe da turma dos Anões do Orçamento.
E Salvatore Cacciola? Controlador do Banco Marka, tornou-se símbolo das relações promíscuas entre o mercado financeiro e o governo federal. Fugiu do país e acabou preso anos depois.
No Mensalão, quem brilhou foi Marcos Valério, publicitário mineiro que operava um esquema de repasses financeiros a parlamentares para garantir apoio político ao primeiro governo Lula.
Já na Lava Jato foram muitos os vilões, mas vale destacar o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Joesley Batista, todo-poderoso da JBS, o gigante das carnes, chegou a gravar o então presidente Michel Temer — e acabaria preso meses depois.
Neste ano da graça de 2026, Daniel Vorcaro não está sozinho na ribalta dos escândalos.
Há também o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido pela alcunha de “Careca do INSS”, suspeito de operar a fraude bilionária dos descontos indevidos em aposentadorias.
Portanto, não nos faltam vilões — termo elegante para evitar chamá-los pelo nome que talvez merecessem: ladrões, bandidos, picaretas ou simples corja de malfeitores.
Bonde liberal
Babá Pereira jura que Álvaro Dias já conta com o apoio de 90 prefeitos potiguares. Em entrevista à 98 FM Natal, ele confirmou o lançamento oficial da chapa no dia 21 de março.
— Vamos convidar todos. Esperamos que a grande maioria — se não todos — esteja presente — disse o ex-prefeito de São Tomé.
No fim de semana, o alto comando bolsonarista deve se reunir, provavelmente no apartamento de Álvaro. Ezequiel Ferreira pode aparecer.
Nova CMPI
Após as novas revelações do caso Master, Rogério Marinho defende a instalação de nova CPMI para investigar o mega-escândalo:
— São dados que não podem ficar descontextualizados, têm de ser analisados e reforçam a necessidade de abrir uma CPI específica — disse o senador potiguar aos jornalistas da Folha.
Freio de mão
Apesar da pressão crescente, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, seguem resistindo à instalação de uma comissão específica para investigar o escândalo. Por ora, o tema permanece diluído em outras frentes do Congresso, sendo tratado nas CPIs do INSS e do Crime Organizado.
6×1
As contas são da Confederação Nacional da Indústria: a proposta de reduzir a jornada semanal para 40 horas no setor público, associada à mudança da escala 6×1, pode elevar despesas e afetar a prestação de serviços. A CNI estima que os gastos com pessoal poderiam aumentar em até R$ 4 bilhões por ano. Valha-nos Deus!