Com o encerramento do processo democrático e a proclamação dos resultados, entramos em uma fase que exige maturidade e, acima de tudo, espírito público. É o momento de transição entre o palanque e a gestão, onde as promessas de campanha devem ceder espaço ao pragmatismo das soluções. Precisamos falar com os eleitos — tanto no plano federal quanto no estadual — sobre os desafios urgentes que devem ser enfrentados a favor do futuro do Brasil e do Rio Grande do Norte.
No cenário nacional, reconhecemos a vitória do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Vice-Presidente Geraldo Alckmin. Como líderes eleitos, cabe a eles a tarefa primordial de distensionar o País. O Brasil precisa de um ambiente de estabilidade que agregue forças e promova o diálogo constante com quem produz. Defendemos uma agenda de desenvolvimento econômico sustentável ancorada na produtividade, na competitividade da indústria nacional e na qualificação de pessoas. Sem uma indústria forte, não há crescimento duradouro.

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Voltando a atenção para o nosso Rio Grande do Norte, a figura do Governador eleito, Cadu Xavier, surge como um perfil talhado para o diálogo. Conhecedor dos gargalos da máquina pública, ele assume o desafio de construir, neste início de ciclo, um governo de coalizão. A tarefa de soerguer o Estado não pode ser solitária; deve ser uma aliança que envolva lideranças políticas, empresariais, sociais e instituições. Mas é o Governador que tem a prerrogativa para articular, convidar todas as forças a trabalharem em uma única direção.
Um dos retratos mais fiéis e preocupantes da nossa realidade fiscal é a crise previdenciária. Dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do primeiro semestre de 2026 revelam que o déficit previdenciário do RN já ultrapassou a marca de R$ 1,022 bilhão apenas nos primeiros seis meses do ano. Projeções oficiais indicam que esse rombo pode alcançar R$ 2,437 bilhões até o final de dezembro. Algo muito grave que não será enfrentado sem a adoção de medidas complexas que, muito provavelmente, alcançarão servidores e Poderes Públicos.
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Essa não é apenas uma questão de números; é uma ameaça direta à capacidade de investimento do Estado em saúde, educação, segurança e infraestrutura. O novo Governador precisará de ousadia. Seguir as mesmas regras e trilhar os mesmos caminhos conhecidos não nos levará a um lugar diferente. É preciso coragem para tomar as decisões difíceis que a sociedade e a economia reclamam. Desejamos chegar a um Rio Grande do Norte que não apenas reconheça, mas converta suas vastas potencialidades — das energias renováveis à indústria de transformação, ao petróleo e à mineração — em um motor real de prosperidade e qualidade de vida para sua população.
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Parabenizo Cadu Xavier por ter iniciado a comissão de transição ouvindo as instituições e solicitando a indicação de nomes técnicos para os grupos de trabalho. Este é o caminho. Além disso, a bancada federal terá um papel fundamental: a maturidade dos nossos representantes em Brasília será o fiel da balança para garantirmos os recursos financeiros e as parcerias necessárias para o Rio Grande do Norte.
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Como representante do Sistema FIERN, reitero que a campanha eleitoral termina na urna. A partir de agora, o propósito comum deve ser o desenvolvimento socioeconômico. Unir para trabalhar. Dialogar para crescer. Somente assim escreveremos um novo e próspero capítulo em nossa história.
O Brasil precisa de um ambiente de estabilidade que agregue forças e promova o diálogo constante com quem produz.
Roberto Serquiz, industrial e presidente do Sistema Fiern