O ex-participante do BBB Gilberto Nogueira, conhecido nacionalmente como Gil do Vigor, afirmou que a educação continua sendo uma das principais ferramentas de transformação social e criticou discursos que minimizam a importância dos estudos. Em entrevista à Folha Estudantes, o pernambucano relacionou a ascensão das redes sociais e da cultura do imediatismo à redução do interesse de parte dos jovens pela formação acadêmica.
Gil afirmou que estudar sempre representou uma possibilidade de mudança de vida para ele e para sua família. Natural de Pernambuco, ele concluiu a graduação em Economia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fez mestrado e atualmente cursa doutorado na Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos. Segundo o economista, a educação foi o principal elemento responsável por alterar sua realidade social. “A educação sempre vai ser a solução, sempre vai ser a saída e sempre vai ser a chave certa, porque vai abrir todas as portas”.

Mesmo após alcançar notoriedade nacional na televisão e nas redes sociais, Gil diz que nunca abandonou o objetivo de concluir sua formação acadêmica. Ele contou que decidiu seguir os estudos desde cedo, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas durante a juventude.
“Quando minha mãe queria me alfabetizar por falta de uma vaga na escola e eu entendendo minimamente o mundo, eu via a minha única saída, porque venho de uma família muito humilde”, disse.
O economista relembrou que a mãe insistia na importância dos estudos como forma de garantir melhores oportunidades. Segundo ele, o incentivo recebido dentro de casa foi determinante para sua permanência na vida acadêmica.
“Minha mãe sempre falava assim: ‘você tem que estudar, ninguém em casa pode ir às ruas. Minha mãe sempre foi muito responsável. Eu só queria chorar porque queria ir à aula, enquanto minha irmã estava feliz por faltar. Eu estava na alfabetização e já entendendo minimamente o mundo’”, afirmou.
Gil também comentou sobre as dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória escolar e universitária. Ele disse que precisou lidar com limitações financeiras, mas manteve o foco na educação como forma de ascensão social. “Eu cresci com o empreendedorismo na minha veia. Ela dizia: ‘você tem que estudar e ser doutor, porque você decide o seu futuro’. Por isso que considero um sonho realizado concluir meu doutorado”.
Atualmente conciliando carreira acadêmica e produção de conteúdo digital, Gil rebateu críticas sobre a possibilidade de unir atuação como influenciador e dedicação aos estudos. Para ele, as duas atividades podem coexistir.
“A televisão é uma carreira instável, e aprendo muito sobre isso com a Ana Maria Braga, porque uma palavra dela pode mudar toda a programação ao longo da minha carreira. Não é fácil. Sabemos que as coisas são muito sensíveis hoje em dia e você pode estar na mídia hoje e não estar amanhã”, afirmou. Ele também disse acreditar que a educação oferece estabilidade e amplia possibilidades profissionais ao longo da vida.
“Eu digo que tenho por trás do Gil que faz acontecer, obviamente, também um outro serviço de entender e produzir melhor conteúdos. É um grande conjunto, mas sabemos que, independentemente desse empenho, não existe garantia na televisão ou na mídia toda. Como sou uma pessoa que preza o risco, prefiro sempre investir em ser humano e o seu conhecimento”, declarou.
Ao comentar o impacto das redes sociais sobre os jovens, Gil afirmou que existe uma valorização excessiva da busca por dinheiro rápido e da exposição digital, em detrimento da formação profissional e acadêmica. “Isso vem também de um grupo de influenciadores da internet que usam a riqueza das redes sociais para vender a ideia de que você pode ganhar dinheiro rápido, e isso acaba incentivando o imediatismo”, afirmou.
Na avaliação dele, essa lógica cria uma percepção equivocada de sucesso e pode desestimular jovens a investirem em qualificação. “Uma parte das novas gerações acredita abandonar a faculdade para tentar a vida na internet como influenciador. Quais riscos você encara nessa decisão e como mostrar para esses jovens que a formação universitária ainda pode ser um caminho?”, questionou durante a entrevista.
Gil afirmou que o sucesso financeiro obtido por alguns criadores de conteúdo representa exceção e não regra. Segundo ele, muitos jovens passam a acreditar que podem alcançar fama e renda elevada rapidamente, sem considerar as dificuldades e a instabilidade desse mercado.
“As pessoas às vezes vão te influenciar a assistir a um vídeo de quatro, cinco ou dez minutos para obter conhecimento, como se tirar dez minutos da vida fosse maior absorver o mundo. O conhecimento é rico, mas não caminha pelo imediatismo”, disse. O economista também defendeu que o ensino superior ainda amplia oportunidades profissionais e sociais. Ele afirmou que, embora existam casos de pessoas bem-sucedidas sem diploma universitário, a maioria da população depende da educação formal para acessar melhores condições de vida. “A educação é investimento durável”.