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Caça

Com Gripen produzido no Brasil, Saab vê País como base estratégica para exportações

Acordo com a Colômbia e possibilidade de novos contratos internacionais reforçam a capacidade produtiva e de exportação brasileira no setor de defesa
Por O Correio de Hoje
26/03/2026 | 15:51

A produção do caça Gripen no Brasil, somada ao contrato firmado com a Colômbia para aquisição de 17 aeronaves até 2032, pode transformar o País em um polo relevante de exportação para a sueca Saab. A avaliação é do presidente e CEO da companhia, Micael Johansson, que participou nesta quarta-feira 25 da apresentação do primeiro jato montado em território nacional, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Johansson, o Brasil ganha peso operacional na estratégia global da empresa, especialmente após o acordo com o governo colombiano. Ele afirmou que a tendência é ampliar a capacidade produtiva tanto na Suécia quanto no Brasil, sobretudo diante da possibilidade de novos contratos internacionais, como negociações em curso com países como Ucrânia e Canadá.

Caça Gripen Foto Ricardo Stuckert
Gripen é um caça supersônico considerado o mais avançado da América Latina - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Com o início da produção local, parte das aeronaves destinadas à Colômbia poderá ser fabricada no Brasil, embora essa definição ainda não tenha sido formalizada pela empresa. O cronograma prevê entregas até 2032.

Ao comentar a possibilidade de venda de caças à Ucrânia — potencialmente até 150 unidades — Johansson ressaltou que a decisão envolve fatores políticos. Ainda assim, destacou que o Brasil pode ter papel relevante em eventuais exportações, caso as negociações avancem. “Espero que o Brasil seja capaz de apoiar todo o mercado global”, afirmou.

A Saab também mantém tratativas com o Peru, que avalia propostas para renovar sua frota de caças. O executivo classificou a oferta como competitiva, mas reconheceu que a decisão depende do cenário político local, marcado por instabilidade. Na disputa, o Gripen concorre com modelos como o F-16 da Lockheed Martin e o Rafale, da Dassault.

A fábrica de Gavião Peixoto é a primeira fora da Suécia a montar o Gripen. Johansson afirmou que a experiência brasileira foi bem-sucedida, destacando a capacidade técnica da indústria nacional. Além da Embraer, participam do programa empresas como Akaer, AEL e Atech, responsáveis por etapas como estrutura da fuselagem, sistemas embarcados e simuladores.

O executivo indicou ainda que a Saab avalia expandir sua presença internacional com novas unidades produtivas — o Canadá é citado como possível destino, embora não haja decisão tomada.

Outro mercado em análise é Portugal, que estuda substituir sua frota atual de caças. O país europeu, que já opera o cargueiro KC-390 da Embraer, surge como potencial oportunidade conjunta para as duas empresas, embora enfrente concorrência de modelos como o F-35, apoiado pelos Estados Unidos.

Para Johansson, a estratégia de crescimento da Saab também passa por fusões e aquisições, ainda que em ritmo moderado nos últimos anos. Ele afirmou que há negociações em andamento, sem detalhar os alvos.

O Gripen é um caça supersônico de última geração, capaz de ultrapassar a velocidade do som (cerca de 1.225 km/h ao nível do mar) e considerado o mais avançado em operação na América Latina. No Brasil, o modelo — designado F-39 pela Força Aérea Brasileira — é fruto de um amplo processo de transferência de tecnologia, que envolveu o treinamento de centenas de engenheiros e a participação de empresas nacionais no desenvolvimento de sistemas, estrutura e simuladores.

Além da fabricação, o principal ganho está na capacidade de integração de softwares complexos, sensores e sistemas de guerra eletrônica, ainda que parte dos componentes estratégicos dependa de licenças internacionais. O projeto também prevê a substituição gradual de aeronaves mais antigas da FAB, como os F-5 e AMX.