O caso envolvendo uma atividade escolar com desenho de orixá na Emei Antônio Bento, em São Paulo, voltou a ganhar repercussão após a liberação de imagens de câmeras corporais de policiais militares que atuaram na ocorrência registrada em novembro de 2025.
As gravações, divulgadas, mostram a entrada de policiais armados na unidade de ensino e uma discussão com a direção da escola e o pai de uma aluna, que havia acionado a Polícia Militar após discordar de uma atividade pedagógica.

Durante a abordagem, um dos policiais afirma à diretora que ela estaria tentando “ditar ideologia” ao defender o conteúdo aplicado em sala de aula.
“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, diz o tenente Ronald Camacho, em fala registrada pela bodycam.
O episódio teve início quando o pai da estudante questionou uma atividade baseada na leitura de um livro infantil que apresenta elementos da cultura afro-brasileira, incluindo orixás, e decidiu acionar a Polícia Militar.
Na versão apresentada à PM, o homem afirmou discordar do conteúdo aplicado à filha. Já a direção da escola explicou que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico alinhado à legislação federal que prevê o ensino da história e cultura afro-brasileira na educação básica.
As imagens mostram ainda a divergência entre policiais e equipe escolar sobre a natureza da atividade, com a direção afirmando se tratar de conteúdo cultural e educacional, enquanto os agentes questionam a abordagem adotada.
Em meio à discussão, a diretora sugere uma reunião com o conselho escolar para esclarecimentos, mas a proposta não avança naquele momento.
Após a liberação das imagens, o caso voltou a circular nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a atuação policial em ambientes escolares e os limites entre liberdade religiosa e ensino de conteúdos culturais previstos na grade curricular.
O episódio já havia sido encaminhado para investigação da Polícia Civil e também para apuração interna da Polícia Militar à época dos fatos.