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Polêmica

Pai chama a PM após atividade com desenho de orixá em escola de SP; policial diz que diretora quer “ditar sua ideologia”

Caso ocorrido em novembro de 2025 na Emei Antônio Bento teve entrada de policiais armados na unidade e discussão sobre conteúdo pedagógico baseado em cultura afro-brasileira
Redação
22/06/2026 | 18:01

O caso envolvendo uma atividade escolar com desenho de orixá na Emei Antônio Bento, em São Paulo, voltou a ganhar repercussão após a liberação de imagens de câmeras corporais de policiais militares que atuaram na ocorrência registrada em novembro de 2025.

As gravações, divulgadas, mostram a entrada de policiais armados na unidade de ensino e uma discussão com a direção da escola e o pai de uma aluna, que havia acionado a Polícia Militar após discordar de uma atividade pedagógica.

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Gravações de bodycam divulgadas agora mostram discussão entre policiais, direção e pai de aluna Foto: Reprodução

Durante a abordagem, um dos policiais afirma à diretora que ela estaria tentando “ditar ideologia” ao defender o conteúdo aplicado em sala de aula.

“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, diz o tenente Ronald Camacho, em fala registrada pela bodycam.

O episódio teve início quando o pai da estudante questionou uma atividade baseada na leitura de um livro infantil que apresenta elementos da cultura afro-brasileira, incluindo orixás, e decidiu acionar a Polícia Militar.

Na versão apresentada à PM, o homem afirmou discordar do conteúdo aplicado à filha. Já a direção da escola explicou que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico alinhado à legislação federal que prevê o ensino da história e cultura afro-brasileira na educação básica.

As imagens mostram ainda a divergência entre policiais e equipe escolar sobre a natureza da atividade, com a direção afirmando se tratar de conteúdo cultural e educacional, enquanto os agentes questionam a abordagem adotada.

Em meio à discussão, a diretora sugere uma reunião com o conselho escolar para esclarecimentos, mas a proposta não avança naquele momento.

Após a liberação das imagens, o caso voltou a circular nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a atuação policial em ambientes escolares e os limites entre liberdade religiosa e ensino de conteúdos culturais previstos na grade curricular.

O episódio já havia sido encaminhado para investigação da Polícia Civil e também para apuração interna da Polícia Militar à época dos fatos.