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Polêmica

Juiz é investigado após ameaçar vítima de feminicídio e dizer a promotora que audiência “não é cozinha”

Vídeos mostram magistrado elevando o tom durante audiência no DF
Redação
23/06/2026 | 12:06

O juiz Olair Teixeira Oliveira Sampaio, titular da Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Brazlândia (DF), passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de vídeos de uma audiência realizada em dezembro de 2023. As imagens mostram o magistrado ameaçando penalizar uma vítima de tentativa de feminicídio, chamando-a de “arrogante”, além de repreender uma promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), afirmando que a sessão judicial “não era uma cozinha”.

O caso veio à tona após a divulgação, pelo portal Metrópoles, de gravações da audiência, que atualmente fazem parte de um procedimento analisado pela Corregedoria Nacional de Justiça e devem ser apreciadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

juiz
Audiência realizada em 2023 mostra o juiz Olair Teixeira Oliveira Sampaio discutindo com uma vítima de tentativa de feminicídio e repreendendo uma promotora; conduta do magistrado é analisada pelo CNJ após divulgação dos vídeos Foto: Reprodução/Metrópoles

A sessão tratava de uma tentativa de feminicídio qualificado registrada em setembro de 2023. Na ocasião, a vítima foi espancada em via pública com golpes na cabeça, sendo socorrida após a intervenção de testemunhas e policiais militares.

Vítima foi ameaçada durante depoimento

Em um dos momentos da audiência virtual, a vítima demonstra incômodo ao ser questionada repetidamente sobre pontos já abordados pela defesa do acusado.

Ao perguntar se precisaria repetir novamente as mesmas informações, a mulher foi interrompida pelo magistrado.

“Eu vou terminar proibindo o depoimento da senhora; a senhora vai ficar prejudicada. Se continuar com essa arrogância, a senhora vai ser penalizada aqui”, afirmou o juiz em tom elevado.

A promotora tentou intervir, mas também teve a fala interrompida.

“Aqui não é cozinha”

Outro trecho da audiência que ganhou repercussão envolve um embate entre o magistrado e a representante do Ministério Público.

Após uma testemunha relatar o espancamento sofrido pela vítima, a promotora perguntou se ela já havia presenciado uma cena semelhante. A defesa contestou a pergunta e recebeu apoio do juiz.

“Aqui não é pingue-pongue, não é uma mesa de pingue-pongue, não é uma cozinha. Aqui têm normas que devem ser seguidas”, afirmou Olair Sampaio.

O magistrado ainda acusou a promotora de estar “saindo completamente dos limites” da instrução criminal.

Em resposta, a integrante do MPDFT pediu que o mesmo rigor fosse aplicado às perguntas da defesa e encerrou sua participação no depoimento com uma crítica indireta:

“Acabou meu depoimento, excelência. Não é cozinha, não é mesmo? Agora é a vez da advogada.”

Caso será analisado pelo CNJ

Segundo o Metrópoles, a atuação do magistrado está sob análise da Corregedoria Nacional de Justiça. O episódio reacendeu discussões sobre revitimização de mulheres em processos judiciais, especialmente em casos de violência de gênero.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) informou que não irá comentar o caso por ele estar em tramitação no CNJ.

Histórico de controvérsias

Esta não é a primeira vez que o nome de Olair Teixeira Oliveira Sampaio aparece em meio a polêmicas. Em outubro de 2023, ele determinou a soltura de um homem condenado pelo Tribunal do Júri a oito anos de prisão por tentar matar a esposa a facadas na frente dos filhos.

A decisão foi posteriormente revertida pelo TJDFT após recurso do Ministério Público. Na ocasião, um desembargador classificou a liberdade concedida ao réu como uma “benesse”, destacando que não havia fato novo que justificasse a soltura.

A divulgação das gravações amplia o debate sobre a condução de audiências envolvendo vítimas de violência doméstica e feminicídio, tema que vem sendo acompanhado de perto pelo CNJ e por entidades de defesa dos direitos das mulheres