O empresariado industrial do Rio Grande do Norte encerrou novembro mais confiante. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), calculado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), avançou 3,1 pontos, passando de 50,3 para 53,4 pontos. O resultado indica que a confiança, que havia oscilado ao longo do segundo semestre, retorna agora a uma zona de maior estabilidade — acima da marca de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
A alta foi influenciada por dois movimentos simultâneos: uma avaliação menos negativa das condições correntes da economia e das empresas e, sobretudo, uma melhora significativa nas expectativas para os próximos seis meses. O conjunto das respostas mostra que o setor industrial potiguar começa a enxergar um ambiente menos adverso, ainda que a recuperação não seja uniforme.

Construção recupera fôlego; extrativa e transformação ampliam otimismo
O levantamento evidencia uma mudança relevante entre os segmentos industriais. A indústria da Construção, que vinha apresentando forte desconfiança ao longo do ano, mostrou arrefecimento do pessimismo, aproximando-se da linha de neutralidade.
Já as indústrias Extrativa e de Transformação apresentaram melhora expressiva, com empresários mais seguros em relação à demanda futura, aos investimentos e ao nível de atividade — fatores cruciais para a dinâmica produtiva do Estado.
Entre os portes empresariais, a confiança também se distribui de forma desigual. Indústrias de médio e grande porte exibem indicadores mais robustos, reforçando a percepção de melhora gradual. As pequenas indústrias, porém, permanecem em terreno negativo desde setembro, sinalizando que os efeitos da recuperação têm chegado de forma mais lenta a esse grupo.
RN diverge do País, mas segue abaixo do nível de 2024
Quando comparado ao cenário nacional, o desempenho potiguar se destaca. O ICEI divulgado pela CNI para o Brasil subiu 1,1 ponto, de 47,2 para 48,3 pontos, mas permaneceu abaixo da linha divisória dos 50 pontos — indicando que a falta de confiança ainda predomina no conjunto da indústria brasileira, embora de forma menos intensa.
O indicador nacional completa 11 meses consecutivos em território negativo e segue 4,3 pontos abaixo do nível de novembro de 2024 e 5,3 pontos abaixo de sua média histórica.
No Nordeste, o índice manteve-se estável em 52,1 pontos, também acima da linha de confiança, mas ainda 4,0 pontos inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.
O ICEI potiguar, apesar da alta expressiva, ainda não recuperou totalmente o patamar de um ano atrás. O índice atual está 1,4 ponto abaixo de novembro de 2024 e 0,9 ponto inferior à média histórica do Estado.
Sondagem capta melhora gradual, mas incertezas persistem
Elaborado com base em entrevistas realizadas entre 3 e 12 de novembro, o ICEI da Fiern mostra que a confiança empresarial no Rio Grande do Norte avança em um ritmo mais firme que o nacional e acompanha, de certa forma, a tendência de estabilidade vista no Nordeste. A melhora das expectativas sugere que os industriais veem condições mais favoráveis no horizonte, mesmo que as restrições, em especial para pequenos negócios, continuem evidentes.
A trajetória de novembro reforça um movimento de reaproximação à média histórica, mas a consolidação dessa tendência dependerá da evolução da economia brasileira, dos custos de produção e da dinâmica da demanda interna — fatores que moldarão o humor do setor industrial nos próximos meses.
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