A dependência das estradas para escoar a produção ajuda a explicar por que o transporte lidera a lista de queixas da indústria brasileira: 75% dos empresários do setor apontam a área como o principal entrave de infraestrutura do país. O dado faz parte do Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, publicação inédita que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira 5. Foram entrevistados 2.500 representantes de empresas de médio e grande porte, de todas as cinco regiões.
Segundo a pesquisa, 98% das indústrias recorrem às rodovias para levar a produção ao mercado, e 23% delas transportam mercadorias por mais de 1.600 quilômetros. Entre as que usam as estradas, 45% dizem que poderiam passar parte das cargas para outros meios de transporte se houvesse estrutura adequada, e 67% desse grupo citam os trilhos como a opção. Os empresários relatam obstáculos na movimentação de mercadorias, no estado de conservação das rodovias e na integração entre os diferentes modais.

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Notas
A aprovação muda bastante de um setor para outro. Os aeroportos ficam no topo, com 64% de avaliações positivas, à frente das telecomunicações, com 62%, e da oferta de energia elétrica, com 60%. Já o saneamento básico recebe aval de 48% dos entrevistados, e os portos, de 44%. As piores notas vão para o transporte terrestre e o aquaviário: as rodovias são bem avaliadas por 38%, as hidrovias por 27% e as ferrovias por apenas 21%.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, as falhas apontadas encarecem a operação das empresas e tiram da produção nacional a capacidade de competir. “Existe uma grande insatisfação dos empresários com algumas áreas da infraestrutura brasileira. O levantamento aponta problemas como rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia, dificuldades de conectividade à internet e restrições para o tratamento e a destinação de efluentes”, afirmou.
Custos
O preço dos serviços pesa tanto quanto a qualidade. Para 81% dos industriais, a energia elétrica custa caro ou muito caro, percepção que 75% têm também em relação ao transporte. Para 91%, os gastos com logística subiram na última década, e 70% avaliam que esse aumento prejudicou a competitividade das empresas. “São gargalos que encarecem a produção, ampliam o Custo Brasil e comprometem a competitividade da indústria brasileira”, disse Alban.
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Contexto
O retrato traçado pelos empresários coincide com o diagnóstico do governo federal. O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, em vigor desde 12 de agosto, aponta a concentração no modal rodoviário como um dos entraves à competitividade: as estradas respondem por 54% da movimentação de cargas no país, ante 27% das ferrovias e 19% do transporte aquaviário, segundo a Infra S.A. O plano reúne uma carteira potencial de R$ 1,225 trilhão em investimentos públicos e privados e põe o Norte e o Nordeste entre as prioridades de integração territorial, como mostrou o Agora RN.
A publicação da CNI, conforme informou O Correio de Hoje, também reúne 500 demandas locais levantadas pelas federações estaduais das indústrias e propostas nacionais que a entidade apresentou aos pré-candidatos à Presidência da República. A lista de prioridades pede recursos para rodovias, ferrovias, portos, hidrovias, energia e telecomunicações. O trabalho de campo ficou a cargo da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, que entrevistou representantes de empresas nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.
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